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domingo, 29 de junho de 2014
60% dos brasileiros ouvidos em pesquisa já pensaram em "largar tudo" para tentar nova carreira.
Trabalho
Baixa remuneração e falta de reconhecimento são pontos negativos da atual ocupação
Lecticia Maggi

Frustração com a vida profissional: 58% dos profissionais já pensaram em trocar de carreira (Thinkstock)
Uma pesquisa da Pactive Consultoria, empresa especializada em gestão de pessoas, aponta que 58% dos profissionais brasileiros ouvidos pelo estudo já pensaram em "largar tudo" para iniciar uma carreira nova. Deste total, 26% afirmaram que a ideia de recomeçar profissionalmente já foi cogitada "muitas vezes".
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O estudo — que ouviu 1.006 pessoas de 22 estados — mostra, ainda, que 65% dos entrevistados gostariam de atuar em áreas afinadas com sua personalidade. No topo da lista dos itens considerados mais desmotivadores no atual emprego, aparecem remuneração e falta de reconhecimento por parte dos superiores, indicados por 35% e 32% dos profissionais, respectivamente. Quase 40% dos entrevistados consideram ainda que as perspectivas de crescimento na empresa em que atuam são ruins.
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Para o consultor Eduardo Ferraz, condutor da pesquisa, os números não surpreendem. Ao contrário. "Cada vez mais me deparo com pessoas insatisfeitas ou frustradas, que se perguntam se estão no trabalho adequado. E isso é observado em profissionais em diferentes estágios da carreira", afirma.
Estar em um trabalho que proporcione autorrealização é uma questão importante, já que, para a grande maioria (70%), o trabalho interfere "razoavelmente ou muito" na felicidade pessoal. O que, então, impede a troca de carreira? A resposta, segundo a pesquisa, é o medo de arriscar — apontado por 31% dos entrevistados. Em seguida, com 16% cada, aparecem incerteza em relação ao que gosta e dúvidas sobre a própria qualificação.
"Acho que um dos segredos para se construir uma carreira de sucesso é investir no autoconhecimento, ou seja: investigar realmente quais são suas prioridades", diz Ferraz. "Assim, crescem as chances de se escolher funções compatíveis com nossas características e desejos."
A pesquisa ouviu majoritariamente profissionais com mais de 30 anos de idade (83%). Do total de entrevistados, 30% possuem ensino médio completo, 38% têm curso superior e 26%, pós-graduação.
Profissionais querem bons salários - e felicidade.
Carreira
Estudo que ouviu funcionários em cargos de gerência de grandes empresas em dez países mostra que remuneração é quarta razão de satisfação no trabalho
Lecticia Maggi

Salário não garante satisfação, aponta pesquisa (Thinkstock)
Uma empresa que deseja atrair e reter talentos precisa oferecer boa remuneração. Dinheiro, contudo, não garante a satisfação dos funcionários. É o que revela pesquisa inédita da companhia de seleção e recrutamento Robert Walters com 9.173 profissionais de cargos de média e alta gerência em dez países — entre eles, o Brasil. À frente dos altos salários, aparecem como principais motivadores: ter e superar desafios, manter equilíbrio entre carreira e vida privada e alcançar postos de responsabilidade e destaque. "Um bom salário não deixou, é claro, de ser um fator importante na vida profissional", diz Frédéric Ronflard, diretor da Robert Walters. "Mas há uma tendência de valorização de outros aspectos. Os entrevistados têm consciência, por exemplo, de que vencimentos altos são acompanhados por muita pressão, o que pode reduzir a qualidade de vida. E isso é hoje incompatível com o que almejam para suas vidas."
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"Em 2010, deixei para trás uma empresa no interior de São Paulo e um salário de 20.000 reais. Assumi um posto em uma companhia em Uberlândia, ganhando 25% a menos. Com a mudança, queria estar mais perto da minha família e ter uma vida mais tranquila. Sei que em uma cidade como São Paulo, onde já trabalhei, poderia ganhar mais, mas não suportaria perder horas do dia parado no trânsito."
Clésio da Silva, de 36 anos, contador
Além de brasileiros, foram ouvidos na pesquisa profissionais da Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Irlanda, Luxemburgo, Suíça e Estados Unidos. Quase metade integra a chamada geração X, que compreende pessoas com idades entre 34 e 45 anos de idade. Um em cada seis trabalha em uma organização de grande porte, com mais de 250 funcionários. Apenas 16% dos participantes apontaram salário e benefícios como razão de motivação no trabalho. Ser defrontado com desafios, como metas de desempenho, aparece em primeiro lugar (29%), seguido por atingir equilíbrio entre carreira e vida privada (25%) e ganhar postos de destaque e responsabilidade (23%) — o que pode se traduzir em ganho financeiro.
No caso do Brasil, harmonia entre trabalho e descanso é razão de mais satisfação. Esse foi considerado o maior motivador profissional por 36,6% dos 773 entrevistados que trabalham no país. O percentual é mais do que o dobro do relativo aos profissionais que elegeram a remuneração como motor de satisfação. Metade dos ouvidos afirmou que deixaria a empresa assim que percebesse que ela não oferece boas perspectivas. A cifra é simular nos demais países.
O dinheiro é um motivador que funciona apenas no curto prazo. Essa é a visão de Leonardo de Souza, diretor da companhia de seleção de executivos Michael Page. "Os profissionais têm necessidade de se sentir úteis e de perceber que seu esforço produz impactos, seja nos resultados da organização, seja em sua vida privada", diz. Ao receber um aumento, o profissional se adapta rapidamente ao novo padrão financeiro e, em pouco, deixa de perceber o bônus recebido. "É por isso que ele precisa, por exemplo, de novos desafios e equlíbrio entre trabalho e lazer", diz Souza. Uma pesquisa da Michael Page ilustra a situação: quase 40% dos 7.500 entrevistados já haviam aceito um corte nos vencimentos em troca de uma mudança de área para atuar em projetos mais estimulantes.

"Trabalhava como consultor na área de sistemas até que, em 2012, surgiu a oportunidade de ingressar na equipe de finanças do Banco Deutsche. A remuneração era 30% menor, mas isso não me desanimou. Aceitei porque queria atuar em uma nova área e aprender mais."
Hugo Utida, de 29 anos, cientista da computação
Rodrigo Soares, diretor da Hays, outra companhia de seleção de executivos, afirma que nove em cada dez candidatos recrutados para postos de gerência questionam, no ato da seleção, o plano de carreira da organização em questão. "Eles querem saber quais são os passos para atingir o patamar seguinte da carreira", diz Soares. "As companhias que não oferecem um planejamento definido acabam perdendo bons candidatos para a concorrência."
Na lista de itens que cooperam para a felicidade no trabalho, além dos já apurados pelo estudo da Robert Walters, aparece identificação com o empregador. Pesquisa realizada pela companhia de seleção DMRH que ouviu mais de 4.000 executivos mostrou que um em cada cinco entrevistados considera que a empresa ideal é aquela que possui valores e crenças similares aos seus. Novamente, é um indicador de que dinheiro não é tudo. "Esses profissionais passam boa parte do tempo no trabalho. Então, precisam sentir que a atividade que exercem tem algum sentido", diz Sandra Finardi, diretora da DMRH.
Universitários que dormem mais obtêm melhores notas.
Educação
Pesquisa
Estudo realizado na Bélgica mostra que desempenho de alunos que dormem ao menos sete horas por noite é superior ao dos colegas

Estudantes que dormem mais conseguem até 1.7 pontos a mais nos exames, diz pesquisa (Getty Images)
Estudantes universitários que dormem pelo menos sete horas por noite têm desempenho ao menos 10% superior ao dos demais colegas, aponta estudo realizado por pesquisadores das universidades de Ghent e Leuven, na Bélgica. A pesquisa ouviu 621 alunos do primeiro ano do ensino superior e observou que as notas médias obtidas pelos membros do primeiro grupo em provas é 1,7 ponto superior, em uma escala de 1 a 20.
O estudo constatou ainda que aproximadamente 30% dos estudantes que participaram da pesquisa têm baixa qualidade de sono, com base no Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI, sigla em inglês), elaborado pela Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Entre as mulheres, a qualidade do sono é pior: 35% delas dormem mal, mesmo aquelas que conseguem descansar sete horas por noite. Entre os homens, a taxa cai para 26%.
Segundo Stijn Baert, coautor do estudo, a quantidade de horas dormidas afeta as notas porque o desempenho dos estudantes têm relação direta com a memorização. Isso porque a consolidação da memória acontece durante o REM — fase do sono na qual ocorrem os sonhos.
“A absorção de novos conhecimentos está integrada na base de conhecimento existente enquanto dormimos. Dormir ao menos sete horas é essencial para alcançar essa etapa do sono e para consolidar o que foi estudado durante o dia”, disse Stijin em artigo.
Na Copa em casa, um Brasil adolescente.
Futebol
Sérgio Xavier

Luiz Felipe Scolari afaga o capitão Thiago Silva ao final da partida contra o Chile no Mineirão (Ricardo Corrêa)
Franz Beckenbauer escreveu antes de a Copa ter início e repetiu a sentença na véspera da partida contra o Chile: o Brasil era favorito pelo fator local, mas a seleção verde-amarela apresentava um probleminha: uma equipe jovem demais, a começar pelo craque de apenas 22 anos. O kaiser alemão, campeão mundial como jogador e treinador, acha que, para leventar canecos, é fundamental ter um líder do time mais rodado.
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Talvez seja despeito, ou mesmo um equívoco de Beckenbauer. O fato é que o sofrido jogo de oitavas de final em Belo Horizonte mostrou um Brasil pra lá de nervoso. Quando se olha a espinha dorsal da equipe, formada por Thiago Silva, David Luiz e Neymar, não há como não pensar na questão levantada pelo alemão. Thiago Silva quase foi às lágrimas na entrevista anterior ao jogo. David Luiz é emoção sempre. Neymar, quando acabou o jogo, desabou em um choro convulsivo à beira do gramado. Isso sem falar em Júlio César, o destaque da equipe. Ele tinha os olhos empapados de lágrimas, não depois da vitória, mas antes da cobrança dos pênaltis.
O Brasil não é Coca-Cola, mas é emoção para valer. Está na cara que o abismo que separou a primeira da segunda etapa brasileira tem algo a ver com nervos incontroláveis. No período incial, partidaço. O Brasil amarrou o Chile com uma corrente e engoliu a chave do cadeado. Marcação em cima, velocidade, defesa ajustada. Neymar tomou uma bordoada na coxa no início do primeiro tempo e, mesmo assim, foi brilhante. No intervalo, a musculatura esfriou, e Neymar precisou escolher quando iria tentar uma arrancada. Doía demais. Até aí, coisas da vida e dos gramados. O problema é que o time entrou em parafuso ao ver seu principal craque limitado. O colapso do segundo tempo foi, basicamente, emocional. Veio a prorrogação e, mais tarde, a disputa por pênaltis. O Brasil passou para as quartas, mas o jogo de Belo Horizonte deixou essa péssima impressão levantada por Beckenbauer. A juventude e o descontrole emocional da equipe assustam. Nem se trata de problema técnico, tático. Na bola, a garotada de Felipão mostrou evolução. Se desse para terminar a partida de Belo Horizonte aos
45 do primeiro tempo, todos estariam mais aliviados. Só que, nesta Copa, o Brasil não conseguiu bom jogo de noventa minutos. O segundo tempo contra o bagunçado time de Camarões também foi interessante, só que a etapa inicial havia sido um ataque de horrores.
Grandes times e seleções mostram poucas variações de uma etapa para a outra. Conseguem jogar por mais tempo com a mesma intensidade e estabilidade. O Brasil precisa amadurecer, e tem de ser na marra. Nosso time adolescente tem mais duas semanas e três jogos para virar adulto.
Daniel Kfouri/VEJA

Nasa lança balão com protótipo de sistema de pouso para idas a Marte.
28/06/2014 17h44 - Atualizado em 28/06/2014 17h51
Nave experimental foi lançada de instalação da Marinha dos EUA no Havaí.
Nasa diz que o paraquedas supersônico do veículo é o maior já testado.
Da Reuters
é içado no Havaí (Foto: JPL-Caltech/Nasa)
Um balão de hélio carregando uma nave experimental da Nasa em forma de disco foi lançado de uma instalação da Marinha dos Estados Unidos em Kauai, no Havaí, neste sábado (28), para testar sistemas de pouso para futuras missões a Marte.
O balão – grande o suficiente para encher o estádio de futebol Rose Bowl, em Pasadena, Califórnia – decolou às 2h40 do horário local para uma subida estimada em três horas, para 120 mil pés (36.576 metros) acima do Oceano Pacífico.
O lançamento, que foi adiado seis vezes neste mês por clima inadequado, foi transmitido ao vivo pela Nasa Television.
Uma vez em posição correta, a nave em forma de disco será libertada do balão para que seu motor de foguete possa fazer o veículo subir até 180 mil pés (54,9 mil metros).
Em seguida, um escudo em forma de rosquinha será inflado, desacelerando o veículo de 4.828 km/h para cerca de metade desta velocidade.
Finalmente, um grande paraquedas de 34 metros de diâmetro será acionado para transportar o veículo para um pouso controlado no oceano.
"É o maior paraquedas supersônico que nós já testamos", disse Dan Coatta, engenheiro da Nasa. O objetivo do teste é colocar o protótipo do sistema de pouso em condições que seriam experimentadas em Marte.
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