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sábado, 23 de julho de 2011

A Volta da Família Careta.


A volta da família careta
"Perdoem-me os pais que se queixam de que os filhos são um fardo, de que faltam tempo, dinheiro, paciência. Receio que o fardo, o obstáculo e o estorvo a um crescimento saudável dos filhos sejam eles"
Foi tão grande e variado o número de e-mails, telefonemas e abordagens pessoais que recebi depois de escrever que família deveria ser careta, que resolvi voltar ao assunto, para alegria dos que gostaram e náusea dos que não concordaram ou não entenderam (ai da unanimidade, mãe dos medíocres). Atenção: na minha coluna não usei "careta" como quadrado, estreito, alienado, fiscalizador e moralista, mas humano, aberto, atento, cuidadoso. Obviamente empreguei esse termo de propósito, para enfatizar o que desejava.
Atômica Studio

Houve quem dissesse que minha posição naquele artigo é politicamente conservadora demais. Pensei em responder que minha opinião sobre família nada tem a ver com postura política, eu que me considero um animal apolítico no sentido de partido ou de conceitos superados, como "a esquerda é inteligente e boa, a direita é grossa e arrogante". Mas, na verdade, tudo o que fazemos, até a forma como nos vestimos e moramos, é altamente político, no sentido amplo de interesse no justo e no bom, e coerência com isso.
E assim, sem me pensar de direita ou de esquerda, por ser interessada na minha comunidade, no meu país, no outro em geral, em tudo o que faço e escrevo (também na ficção), mostro que sou pelos desvalidos. Não apenas no sentido econômico, mas emocional e psíquico: os sem auto-estima, sem amor, sem sentido de vida, sem esperança e sem projetos.
O que tem isso a ver com minha idéia de família? Tem a ver, porque é nela que tudo começa, embora não seja restrito a ela. Pois muito se confunde família frouxa (o que significa sem atenção), descuidada (o que significa sem amor), desorganizada (o que significa aflição estéril) com o politicamente correto. Diga-se de passagem que acho o politicamente correto burro e fascista.
Voltando à família: acredito profundamente que ter filho é ser responsável, que educar filho é observar, apoiar, dar colo de mãe e ombro de pai, quando preciso. E é também deixar aquele ser humano crescer e desabrochar. Não solto, não desorientado e desamparado, mas amado com verdade e sensatez. Respeitado e cuidado, num equilíbrio amoroso dessas duas coisas. Vão me perguntar o que é esse equilíbrio, e terei de responder que cada um sabe o que é, ou sabe qual é seu equilíbrio possível. Quem não souber que não tenha filhos.
Também me perguntaram se nunca se justifica revirar gavetas e mexer em bolsos de adolescentes. Eventualmente, quando há suspeita séria de perigos como drogas, a relação familiar pode virar um campo de graves conflitos, e muita coisa antes impensável passa a se justificar. Deixar inteiramente à vontade um filho com problema de drogas é trágica omissão.
Assim como não considero bons pais ou mães os cobradores ou policialescos, também não acho que os do tipo "amiguinho" sejam muito bons pais. Repito: pais que não sabem onde estão seus filhos de 12 ou 14 anos, que nunca se interessaram pelo que acontece nas festinhas (mesmo infantis), que não conhecem nomes de amigos ou da família com quem seus filhos passam fins de semana (não me refiro a nomes importantes, mas a seres humanos confiáveis), que nada sabem de sua vida escolar, estão sendo tragicamente irresponsáveis. Pais que não arranjam tempo para estar com os filhos, para saber deles, para conversar com eles... não tenham filhos. Pois, na hora da angústia, não são os amiguinhos que vão orientá-los e ampará-los, mas o pai e a mãe – se tiverem cacife. O que inclui risco, perplexidade, medo, consciência de não sermos infalíveis nem onipotentes. Perdoem-me os pais que se queixam (são tantos!) de que os filhos são um fardo, de que falta tempo, falta dinheiro, falta paciência e falta entendimento do que se passa – receio que o fardo, o obstáculo e o estorvo a um crescimento saudável dos filhos sejam eles.
Mães que se orgulham de vestir a roupeta da filha adolescente, de freqüentar os mesmos lugares e até de conquistar os colegas delas são patéticas. Pais que se consideram parceiros apenas porque bancam os garotões, idem. Nada melhor do que uma casa onde se escutam risadas e se curte estar junto, onde reina a liberdade possível. Nada pior do que a falta de uma autoridade amorosa e firme.
O tema é controverso, mas o bom senso, meio fora de moda, é mais importante do que livros e revistas com receitas de como criar filho (como agarrar seu homem, como enlouquecer sua amante...). É no velhíssimo instinto, na observação atenta e na escuta interessada que resta a esperança. Se não podemos evitar desgraças – porque não somos deuses –, é possível preparar melhor esses que amamos para enfrentar seus naturais conflitos, fazendo melhores escolhas vida afora. 

Fonte de Consulta: Lya Luft - Revista Veja.

sábado, 16 de julho de 2011

PAIS SUPERPROTETORES, FILHOS REBELDES.

Um congresso sobre pedagogia e casamento realizado na França em 1894 tinha entre suas conclusões a seguinte afirmação:
Nestes fins de século (XIX), difíceis para a família e o matrimônio, os casais que têm crianças sob sua responsabilidade se encontram tão inseguros e têm tanto medo do futuro que tende a proteger obsessivamente seus filhos de qualquer problema que possam ter. Mas é necessário alertar que essa tendência é muito perigosa, pois, se os pais fizerem isso com tanta paixão, os filhos nunca aprenderão a resolver os problemas sozinhos.
Se não formos capazes de reverter tal atitude, teremos no final do século XX, milhões de adultos com a lembrança de infâncias e adolescências maravilhosas e felizes, mas com um presente penoso e um futuro repleto de fracassos.
Jorge Bucay, médico e psicólogo argentino, comenta em seu livro QUANDO ME CONHECI, que esse prognóstico, concebido há mais de 100 anos, surpreende por sua precisão.
Nós, os pais – principalmente os do final do século XX -, desenvolvemos um comportamento mais anulador do que cuidadoso e mais temeroso do que protetor em relação aos nossos filhos. Ao invés de prepará-los para resolver os seus conflitos e suas dificuldades, nós dedicamos a dar-lhes uma infância com facilidades e sem frustrações, com muitas idas aos shoppings em busca de presentes que pudessem  compensar a nossa ausência, justificada  pelos inúmeros compromissos de trabalho.
Apesar das falhas cometidas na educação dos filhos, nós permitimos que se rebelassem, muitas vezes, contra tudo e contra todos.
É bom lembrar que nós, os pais, em sua grande maioria somos oriundos de famílias tradicionais, em que a rebeldia dos infantes não era permitida, principalmente, nos momentos em que os pais usavam a frase tradicional da época: “Cala boca, pirralho!”
Existem filhos que antes de aprenderem a balbuciar a palavra “papai”, aprenderam a perguntar: ”Por quê”. A partir daí surgiu uma geração de crianças e jovens contestadores.
Fomos nós que lhes ensinamos essa rebeldia, especialmente nos momentos em queríamos impor a nossa maneira tradicional de ver as coisas.
Provavelmente, essa é uma grande contribuição que possamos atribuir à nossa geração de pais que de forma indireta, ajudou a formar uma legião de jovens questionadores e conscientes de seu papel em uma sociedade competitiva e consumidora de bens e serviços, refém de um sistema corporativo manipulado pelo marketing agressivo, cuja palavra de ordem é comprar, comprar e... comprar.

EDUCAÇÃO: ENSINO E APRENDIZAGEM.

Jorge Bucay, médico e psicólogo argentino, em seu livro QUANDO ME CONHECI, afirma que uma parte importante de todo o conhecimento adquirido ao longo da vida é transmitida dos pais para os filhos.
Poderemos chamar esta “educação de formal,” que é transmitida por meio de ordens, conselhos, prêmios e castigos. A educação “não formal” é transmitida pelo que não é dito e é fundamental, porque as crianças têm uma tendência natural de imitar o que veem, principalmente, os exemplos dados pelos adultos.
Existe uma outra forma de ensino que se transmite de geração para geração, incluindo o que está contido em nosso material genético. Atualmente, os estudiosos do comportamento humano reconhecem que existe um verdadeiro manancial de informações que já fazem parte do nosso DNA, que colabora de  forma incisiva, juntamente com as influências emanadas de nossa sociedade, na montagem de nossas estruturas morais, éticas e sociais.
Da mesma forma, os nossos filhos terão a tarefa de levar o nosso legado além de onde nossas limitações o deixaram. E seus futuros filhos terão o compromisso de levar todos estes conhecimentos para gerações seguintes.
Em um mundo expressamente competitivo, em que as mudanças são vertiginosas, todo este aprendizado transmitido às novas gerações, cria uma condição singular de sobrevivência e perpetuação da espécie humana.
Nós fomos criados segundo a velha metáfora que dizia que educar não era dar o peixe, e sim ensinar a pescar. Hoje, em dia este pensamento continua a vigorar como se estivesse realmente adaptado aos novos tempos. Mas, na realidade, não está.
Se, por exemplo, hoje eu der uma vara de pescar ao meu filho e o ensino a pescar, provavelmente, em sua fase jovem, os meus ensinamentos relacionados ao assunto serão suficientes para que ele possa até sobreviver com a arte da pesca.
No entanto, em sua fase adulta, pode ser que não haja mais peixes para pescar, talvez, a forma ensinada não seja mais adequada à captura dos  mesmos.
Logo, penso que a tarefa dos pais, neste momento, é ensinar os filhos a criar e construir suas próprias ferramentas: fabricar sua própria vara, tecer sua própria rede , inventar suas modalidades de pesca. Com isso, é necessário admitir com bastante humildade que ensiná-lo a pescar não será suficiente para enfrentar os novos desafios de um mundo em transição.
Esta dificuldade dos pais em treinar os seus filhos para os problemas que enfrentarão no século XXI está ficando cada vez mais evidente em função do tempo em que o conhecimento humano se duplica. A diminuição progressiva do tempo de duplicação, que atualmente é de cerca de 20 anos, é uma das causas das crises existenciais entre pais e filhos.
Logo, por mais que os tempos sejam de mudanças, não poderemos deixar de passar aos nossos descendentes, um legado moral e ético em  que o respeito e a honestidade sejam marcos fundamentais na construção de uma nova sociedade.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sensibilidade de Mãe.

A mãe de Jack Welch , ex-presidente da General Eletric, comentou o fato de que ele tinha dificuldade de falar e isso o angustiava. "Não se importe com isso", dizia-lhe a mãe. "O que acontece é que você é muito inteligente, pensa rápido demais e as palavras não conseguem acompanhar a velocidade dos seus pensamentos e das suas ideias."

Seria maravilhoso que todas as mães e pais pudessem ter esta sensibilidade nos momentos em que seus filhos demonstrassem dificuldades de se adaptar a este mundo. Como por exemplo, deficiência na comunicação oral.
Existem palavras, ditas por nossos pais, que nos marcaram profundamende, de forma positiva. Foram, como flechas, que nos impulsionaram em busca de nossos sonhos e desafios.
Todos nós sabemos que, independentemente da idade, é bom, ou melhor, é ótimo, quando podemos ter o abraço acolhedor de nossos pais: seja com um gesto, seja com uma palavra, seja com um simples olhar.O importante é tê-los, ao vivo e à cores.

QUATRO DICAS PARA QUEM ESTÁ ENTRANDO NO ENSINO SUPERIOR

A saída do Ensino Médio e o início dos estudos em uma instituição de ensino superior representam uma grande mudança para a vida do jove...