Dora Ramos em seu artigo QUANDO SEU SALÁRIO NÃO É SUFICIENTE no Espaço Aberto da Revista OFLU escreve:
"Uma pesquisa do IBGE mostra que mais de 68% das famílias gastam mais do que sua renda permite. Atualmente, o percentual de endividamente é de 86% de acordo com o PEIC-Nacional (Pesquisas Nacionais de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC). Com esse resultado, pesquisas nacionais de Intenção de Consumo de Famílias (ICF) e de Inadimplência de Endividamento do Consumidor (PEIC) revelaram uma provável desaceleração no consumo de 2011 e um recuo no nível de endividamento da família brasileira. No mês de abril desse ano, ainda de acordo com o PEIC, o percentual das famílias endividadas caiu para 62,6%, ante 64,8% em março. Já a média da parcela comprometida com dívidas da renda aumentou, em comparação com o mesmo mês do ano passado, passando de 29,6% para 29,8%."
Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio), os brasileiros gastam mais com vestuários do que com educação.
Com o crescimento econômico, 20 milhões de novos brasileiros conseguiram atingir a classe C, aquecendo o mercado e o desejo de muitas compras, já que o seu consumo estava reprimido há muitos anos.
Estudos relacionados à psicologia do consumo, têm demonstrado que a compra desenfreada de novos produtos e serviços, se justifica pela necessidade humana de compensar perdas e desejos não satisfeitos.
Todos os dias assistimos, principalmente, pela televisão, a publicidade maciça de redes do varejo que anunciam a venda de eletroeletrônicos a preços supostamente promocionais. A forma de propaganda utilizada é impiedosa com os ouvidos dos telespectadores, porque as mesmas são realizadas com som impactante e imagens relâmpagos.
Ao mesmo tempo, redes de supermercados lançam, também de forma impactante, a venda promocional de alimentos, o que leva os consumidores a estocarem produtos em suas casas, sem a devida necessidade.
Com todos estes apelos, a maioria dos consumidores brasileiros, principalmente, os mais jovens, viram refém de toda esta estratégia de marketing agressivo de consumo.
Lamentavelmente, as redes comerciais de varejo se transformaram em financeiras, o que é uma verdadeira arapuca, já que se as pessoas não pagarem as suas compras em dia, serão penalizadas com juros e multas absurdas que levarão suas famílias à inadimplência.
O que fazer?
Não existe milagre, mais existem alguns caminhos que podem ser seguidos, como por exemplo:
1 - Evitar a emoção do consumo, ou seja, não permitir que o seu subconsciente estimule o consciente a comprar o que vê, sem estar, às vezes, precisando;
2 - Se já estiver endividado, procure negociar a dívida diretamente com o credor;
3 - Se houver possibilidade, utilize o 13º salário e o pagamento das férias para amortizar o que resta a pagar;
4 - Se os juros que estiverem sendo cobrados é abusivo, veja a possibilidade de contrair um empréstimo bancário com juros menores e prazos maiores para pagamento;
5 - Se for ao supermercado, evite levar crianças e procure chegar bem alimentado. De preferência, leve a velha lista do que realmente necessita comprar, para evitar supérfluos;
6 - Evite comparar o que você tem em casa em relação o que tem seus amigos. É fundamental colocar as mãos onde elas podem alcançar. Nada, supera uma noite bem dormida;
7 - As estatísticas demonstram que muitas separações de casais são provocadas por crises financeiras, principalmente, com a perda do emprego;
8 - Depois do equacionamento das dívidas, é imprescindível desenvolver a cultura da poupança: Sabendo poupar, não vai faltar!
Conclusão: Comprar é um direito de todos, desde que seja de forma consciente e com responsabilidade. BOA SORTE!
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terça-feira, 26 de julho de 2011
sábado, 23 de julho de 2011
Artigo LYA LUFT - Revista VEJA.
Com o ensino cada vez pior - e ainda por cima sendo mais difícil conseguir uma reprovação -, temos gente saindo das universidades quase sem saber coordenar pensamentos e expressá-las por escrito, ou melhor: sem saber o que pensar das coisas, desinformados e desinteressados de quase tudo. Fico imaginando como será em algumas décadas. A ignorância alastrando-se pelas casas, escolas, universidades, escritórios, congressos, senados... Multidões consumistas ululando nas portas e corredores de gigantescos shoppings, países inteiros saindo da obscuridade - não pela democracia, mas para participar da orgia de aquisições, e entrar na modernidade.
Em algumas coisas sou pessimista: essa é uma delas. Mas acredito que os que ainda quiserem pensar, estudar, descobrir, inventar, pintar, dançar, cantar ou escrever vão viver numa espécie de ilha. Talvez em universidades tradicionais ou ultra-adiantadas, ou no aconchego de bibliotecas em casa, praticamente todas de e-books ou recursos com que nem sonhamos, exigindo pouco espaço.
Já existem em países adiantados intelectuais, pensadores, pesquisadores, cientistas pagos simplesmente para pensar. Criar, inventar, descobrir. Um deles, meu conhecido, cujo hobby é tocar piano, conseguiu, sem ter de pedir, uma sala enorme à prova de som, para tocar altas horas ou de dia, sem incomodar vizinhos.
As atuais agitações em países do Oriente me fizeram pensar que a filosofia (os gregos) foi substituída pela religião, a religião pelas ideologias, e as ideologias, atualmente, pelo consumismo. Não sou contra consumir, gosto do meu celular eficiente e relativamente moderno, embora saiba que em poucas semanas, ou dias, ele estará ultrapassado. Isso não me incomoda. Não me deixa ansiosa por trocar este por outro, que em pouco tempo também deverá ser substituído, numa compulsão idiota. Não gosto é dessa compulsão idiota. Meu computador e meu notebook são atualizados e eficientes, mas não me importa que em algumas semanas estejam superados, desde que funcionem bem.
Gosto de poder trocar de carro quando o outro bate biela (não sei o que é biela mas ouvi falar). Porém, nem posso nem desejo estar sempre com o último modelo, ou o mais luxuoso. Diante da miséria de meu país, acho que isso me envergonharia, como caríssimas joias e bolsas ou roupas de grife. Vivo uma busca de simplicidade, que ajuda bastante a viver curtindo mais e melhor as coisas boas que existem no meio do horror. Podem ser simplíssimas, como um livro interessante, um Mozart profundo, as crianças que correm no jardim de uma casinha que temos na montanha. Um casal de guaxinins fez seu ninho embaixo da varanda, nosso novo encantamento. Se a gente não consegue coisas desse tipo, a vida fica pesada demais.
Corrida demais. Relógios demais, compromissos demais, bebida, comida, contas demais, e de repente a velha prostituta que chamamos Morte revira seus olhos sinistros de gato, limpa os bigodes e prepara o bote.
E nós, onde estamos? Em casa, na cama, na loja, no bar, na praia, na multidão enlouquecida, na solidão do hospital - ou rodeados de alguns afetos essenciais? Ou sozinhos, mas apaziguados? Ou em alguma ilha, que pode ser de artistas ou pensadores dignamente valorizados, ou no minúsculo escritório, ou quarto, em casa, sentindo o contentamento de alguns momentos bons, ou simplesmente refletindo, contemplando?
Vamos ter "aproveitado" a vida, coisa que se aconselha aos jovens desde o tempo de minhas avós - aos rapazes naturalmente, naqueles tempos de moças recatadíssimas -, vamos continuar infantilizados, ou vamos melhorar um pouco como seres humanos? Ou isso tudo não nos interessa nadinha (o que é mais provável)?
O que vai ser, o que vamos sentir, alegria ou tormento, ansiedade inútil ou trabalho de crescimento pessoal, e como vamos enfrentar as unhas afiadas daquela velha dama de gélidos olhos? Quase sempre depende de nós, que giramos feito baratas tontas em busca da última novidade, do mais moderno acessório, da mais louca diversão. E essa é a maior ironia.
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