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sábado, 10 de maio de 2014

Habilidades socioemicionais são chave para empregos do futuro.

Atualizado em  2 de maio, 2014 - 05:53 (Brasília) 08:53 GMT
Crianças estudando (BBC)
Desenvolvimento de habilidades socioemocionais pode ajudar no aprendizado
Que competências os jovens precisam aprender hoje para se prepararem para as profissões do futuro?
Muitas dessas profissões ainda nem existem, mas a pergunta tem mobilizado especialistas em educação e mercado de trabalho – em busca de aperfeiçoamentos nos sistemas de ensino atuais.
E cresce entre analistas a percepção de que muitas habilidades cruciais não serão técnicas, mas, sim, sociais e emocionais: resiliência, curiosidade, colaboração, pensamento crítico e capacidade de resolução de problemas, por exemplo.
"Com o acesso abundante ao conteúdo, o que a pessoa precisa é saber escolher, separar fatos de opiniões, saber navegar em meio a muitas informações não filtradas", explica Denis Mizne, diretor-executivo da fundação educacional Lemann.
"Daí a importância do pensamento crítico. E a resiliência tem a ver com um mundo menos previsível. Se não sei que profissões existirão, preciso me adaptar."
Mas como ensinar habilidades desse tipo, sem descuidar do conteúdo escolar? E será que muitas delas têm sido pouco exercitadas pelas últimas gerações?
Para a professora Carmen Migueles, especialista em educação e desenvolvimento organizacional da EBAPE-FGV, parte das novas gerações – crescidas na internet – "perdeu o contato com o sacrifício e a capacidade de vencer obstáculos".
"Eles entram no mercado de trabalho achando que serão recebidos em um palco iluminado pronto para eles", opina a professora à BBC Brasil. "Mas o sucesso é algo que se consegue em meio às dificuldades."
Segundo ela, essas habilidades socioemocionais – chamadas também de "soft skills" ou habilidades não cognitivas – foram citadas por todas as empresas quando questionadas sobre o que queriam em seus funcionários, em pesquisas feitas pelo MBA da FGV no Rio.
"É um cultivo de virtudes, como paciência, solidariedade e entendimento de diferenças em uma sociedade multicultural", diz ela. "Isso ajuda, por exemplo, a lidar com o choque de culturas quando uma empresa é comprada por uma estrangeira."

Debate

Habilidades socioemocionais consideradas importantes para profissionais do futuro

Criatividade
Espírito colaborativo
Pensamento crítico
Resiliência
Habilidades de comunicação
As habilidades das gerações futuras foram debatidas recentemente em eventos nacionais e internacionais: no seminário Educar Para as Competências do Século 21, em março, no Brasil, e na Conferência de Educação Privada, realizada em abril em San Francisco (EUA) pela International Finance Corporation, ligada ao Banco Mundial.
Um dos participantes da conferência internacional foi o especialista americano Brian Waniewski.

Experiências para estimulá-las

Com jogos que envolvam superação de desafios, pensamento crítico e colaboração; há experiências educacionais envolvendo desde jogos de tabuleiro até videogames
Levando aos alunos debates sobre estudos de casos reais e práticos e estimulando o questionamento da utilidade do conteúdo aprendido
Estimulando atividades que envolvam criação e criatividade; na infância, blocos de montar, programas de design e programação e lápis de cor ajudam nessa tarefa
"Um dos fatores mais importantes é aprender a aprender – e a curiosidade não é algo que seja muito estimulado pelos sistemas educacionais atuais", diz ele à BBC Brasil. "O mercado de trabalho se move mais rápido do que o educacional."
Mas já existem diversos experimentos em curso para ensinar e mensurar essas habilidades. Um deles é do próprio Waniewski, ex-diretor do Institute of Play, empresa que desenvolve métodos de ensino baseados em jogos.

Na prática

Waniewski argumenta que o uso de jogos na sala de aula ajuda a simular a resolução de problemas na vida real. "Você progride de um nível para outro, supera desafios e é um agente proativo", diz.
A mesma lógica vale para levar casos concretos e questões da vida real – por exemplo, problemas da comunidade - para o debate entre alunos, em vez de focar apenas o conteúdo teórico.
"Isso passa por tirar o aluno de seu papel e colocá-lo para desenvolver problemas complexos e em equipe", diz Migueles.
Ainda que isso já seja estimulado em alguns cursos superiores ou pós-graduações, ainda é algo incipiente nas escolas, diz sua colega na FGV-SP, a professora de economia Priscilla Tavares.
"Hoje aprende-se muito mais o conteúdo do que o que fazer com ele", opina, citando o exemplo do logaritmo, elemento matemático comumente usado por profissionais de finanças. "Mas, quando aprendemos logaritmo, não aprendemos para que ele pode ser aplicado."
A dica, aí, é que os alunos tentem estudar não apenas para passar na prova, mas buscar entender a aplicação prática do conteúdo e como relacioná-los a outras disciplinas aprendidas.
"Muita gente trata o debate como se fosse preciso escolher entre ensinar essas habilidades e o conteúdo tradicional, como matemática e português", afirma Mizne, da Fundação Lemann. "Mas os alunos precisam das duas coisas – e essas habilidades ajudam no aprendizado do conteúdo."
A tecnologia também colabora. Um grupo do Laboratório de Media do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) dedica-se a desenvolver métodos de aprendizado criativo.
Uma de suas maiores apostas é uma linguagem de programação chamada Scratch (disponível no site http://scratch.mit.edu/), que estimula o aprendizado de programação mas também "estratégias para resolução de problemas, design de projetos e ideias de comunicação".
E pais podem estimular os filhos a desenvolver essas habilidades desde cedo, diz Resnick, com brincadeiras que envolvam design e criação, como blocos de montar, desenhos e jogos.

Experimentos

Aqui no Brasil, o Instituto Ayrton Senna e a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) fizeram um estudo, recém-divulgado, com 24,6 mil alunos da rede estadual do Rio de Janeiro, com uma ferramenta desenvolvida para a medição de competências socioemocionais.
Algumas das conclusões são de que ter em casa mais de uma estante de livros aumenta em 40% a chance de uma criança ser mais aberta a novas experiências; e que estimular habilidades como planejamento e o protagonismo entre os alunos melhora seu desempenho em matemática e português, respectivamente.
"Notamos que as escolas em geral já praticam essas habilidades em seu cotidiano, mas de maneira não intencional", explica à BBC Brasil Mozart Neves Ramos, diretor de articulação e inovação do Instituto Ayrton Senna. "Se as escolas conseguirem trabalhar esses valores, eles serão potencializados."
E eles podem ser potencializados por atividades esportivas e culturais, pela incorporação de jogos que colaborem no aprendizado das diferentes disciplinas e pelo estímulo à pesquisa entre os alunos, agrega Ramos.
O Instituto agora testa a incorporação dessas habilidades no currículo escolar do Colégio Estadual Chico Anysio, no Rio – incluindo treinamento de professores, projetos interdisciplinares envolvendo capacidades socioemocionais e estímulo a que os alunos elaborem "projetos de vida", com planos para o futuro.
"A vantagem é que essas habilidades não cognitivas se desenvolvem ao longo da vida, basta criar um ambiente adequado para isso", diz Ramos.
Para Resnick, do MIT, mais do que ajudar na busca de empregos, o estímulo dessas habilidades ajudará os jovens do futuro a serem "uma parte mais ativa da sociedade, pessoas que pensam melhor, inovam e são e capazes de articular suas ideias. E todo o mundo precisa disso".

domingo, 8 de abril de 2012

A utopia sufoca a educação de qualidade

"Se a diferença que mais impacta a qualidade de vida das pessoas é a de renda, e se a fonte principal de renda é o trabalho, então precisamos de um sistema educacional que coloque ricos e pobres em igualdade de condições para concorrer no mercado de trabalho"

Gustavo Ioschpe
A missão da boa escola é ensinar as disciplinas fundamentais aos alunos, e não tentar corrigir as desigualdades do Brasil A missão da boa escola é ensinar as disciplinas fundamentais aos alunos, e não tentar corrigir as desigualdades do Brasil (Jonne Roriz/AE)
Um dos males que assolam nossa educação é a esperança vã de pensadores e legisladores de que uma escola que mal consegue ensinar o básico resolva todos os problemas sociais e éticos do país. Eles criaram um sistema com um currículo imenso, sistemas de livros didáticos em que o objetivo até das disciplinas científicas é formar um cidadão consciente e tolerante. Responsabilizaram a escola pela formação de condutas que vão desde a preservação do meio ambiente até os cuidados com a saúde; instituíram cotas raciais e forçaram as escolas a receber alunos com necessidades especiais. A agenda maximalista seria uma maneira de sanar desigualdades e corrigir injustiças. O Brasil deveria questionar essa agenda.
Primeira pergunta: nossas escolas conseguem dar conta desse recado? A resposta é, definitivamente, não. Estão aí todas as avaliações nacionais e internacionais mostrando que a única igualdade que nosso sistema educacional conseguiu atingir é ser igualmente péssimo. Copiamos o ponto final de programas adotados nos países europeus sem termos passado pelo desenvolvimento histórico que lhes dá sustentação.
Segunda pergunta: esse desejo expansionista faz bem ou mal ao nosso sistema educacional? Será um caso em que mirar no inatingível ajuda a ampliar o alcançável ou, pelo contrário, a sobrecarga faz com que a carroça se mova ainda mais devagar? Acredito que seja o último. Por várias razões. A primeira é simplesmente que essas demandas todas tornam impossível que o sistema tenha um foco. Perseguir todas as ideias que aparecem -- mesmo que sejam todas nobres e excelentes -- é um erro. Infelizmente, a maioria dos nossos intelectuais e legisladores não tem experiência administrativa, e acredita ser possível resolver qualquer problema criando uma lei. No confronto entre intenções e realidade, a última sempre vence. A segunda razão para preocupação é que, com uma agenda tão extensa e bicéfala -- formar o cidadão virtuoso e o aluno de raciocínio afiado e com conhecimentos sólidos --, sempre é possível dizer que uma parte não está sendo cumprida porque a prioridade é a outra: o aluno é analfabeto, mas solidário, entende? (Com a vantagem de que não há nenhum índice para medir solidariedade.) E, finalmente, porque quando as intenções ultrapassam a capacidade de execução do sistema o que ocorre é que o agente -- cada professor ou diretor -- vira um legislador, cabendo a ele o papel de decidir quais partes das inatingíveis demandas vai cumprir. Uma medida que deveria estimular a cidadania tem o efeito oposto: incentiva o desrespeito à lei, que é a base fundamental da vida em sociedade.
Eduardo Nicolau/AE
As aulas de ciências e as de português e matemática são as que vão fazer diferença positiva na vida dos jovens quando eles chegarem ao mercado
As aulas de ciências e as de português e matemática são as que vão fazer diferença positiva na vida dos jovens quando eles chegarem ao mercado
Terceira pergunta: mesmo que todas essas nobres intenções fossem exequíveis, sua execução cumpriria as aspirações de seus mentores, construindo um país menos desigual? Eu diria que não apenas não cumpriria esses objetivos como iria na direção oposta. Deixe-me dar um exemplo com essas novas matérias inseridas no currículo do ensino médio -- música, sociologia e filosofia. A lógica que norteou a decisão é que não seria justo que os alunos pobres fossem privados dos privilégios intelec-tuais de seus colegas ricos. O que não é justo, a meu ver, é que a adição dessas disciplinas torna ainda mais difícil para os pobres se equiparar aos alunos mais ricos nas matérias que realmente vão ser decisivas em sua vida. A desigualdade entre os dois grupos tende a aumentar. A triste realidade é que, por viverem em ambientes mais letrados e com pais mais instruídos, alunos de famílias ricas precisam de menos horas de instrução para se alfabetizar. É pouco provável que um aluno rico saia da 1ª série sem estar alfabetizado, enquanto é muito provável que o aluno pobre chegue ao 3º ano nessa condição. O aluno rico pode, portanto, se dar ao luxo de ter aula de música. Para nivelar o jogo, o aluno pobre deveria estar usando essas horas para se recuperar do atraso, especialmente nas habilidades basilares: português, matemática e ciências. É o domínio dessas habilidades que lhe será cobrado quando ingressar na vida profissional. Se esses pensadores querem a escola como niveladora de diferenças, se a diferença que mais impacta a qualidade de vida das pessoas é a de renda, e se a fonte principal de renda é o trabalho, então precisamos de um sistema educacional que coloque ricos e pobres em igualdade de condições para concorrer no mercado de trabalho. O que, por sua vez, presume uma educação desigual entre pobres e ricos, fazendo com que a escola dê aos primeiros as competências intelectuais que os últimos já trazem de casa. Estou argumentando baseado em uma lógica supostamente de esquerda (digo supostamente porque, nesse caso, é transparente que as boas intenções dos revolucionários de poltrona só aprofundam as desigualdades que eles pretendem diminuir).
O mercado de trabalho valoriza mais as habilidades cognitivas e emocionais não porque os nossos empregadores sejam mesquinhos, mas porque, em um mercado competitivo, precisam remunerar seus trabalhadores de acordo com sua produtividade. Essa é a lógica inquebrantável do sistema de livre-iniciativa. Não adianta pedir ao gerente de recursos humanos que seja “solidário” na hora da contratação e leve em conta que os candidatos à vaga vêm de origens sociais diferentes, porque, se o recrutador selecionar o funcionário menos competente, o mais certo é que em breve ambos estejam solidariamente no olho da rua. Não conheço nenhum estudo que demonstre o impacto de uma educação filosoficamente inclusiva sobre o bem-estar das pessoas. Mas há vários estudos empíricos sobre a desigualdade no Brasil. O que eles informam é assustador: o fator número 1 na explicação das desigualdades de renda é, de longe, a desigualdade educacional (disponíveis em twitter.com/gioschpe). Ao criarmos uma escola sobrecarregada com a missão de não apenas formar o brasileiro do futuro mas corrigir as desigualdades de 500 anos de história, nós nos asseguramos de que ela se tornará um fracasso. A escola não pode fracassar, pois é a alavanca de salvação do Brasil.
O tipo de escola pública que queremos é uma discussão em última instância política, e não técnica. É legítimo, embora estúpido, que a maioria dos brasileiros prefira uma educação que fracasse em ensinar a tabuada mas ensine bem a fazer um pagode. Acrescento apenas uma indispensável condição: que a população seja informada, de modo claro e honesto, sobre as consequências de suas escolhas. Quais as perdas e os ganhos de cada caminho. O que é, aí sim, antidemocrático e desonesto é criar a ilusão de que não precisamos fazer escolhas, de que podemos tudo e de que conseguiremos obter tudo ao mesmo tempo, agora. Infelizmente, é exatamente isso que vem sendo tentado. Nossas lideranças se valem do abissal desconhecimento da maioria da população sobre o que é uma educação de excelência para vender-lhe a possibilidade do paraíso terreno em que professores despreparados podem formar o novo homem e o profissional de sucesso. Essa utopia, como todas as outras, acaba em decepção e atraso. Essa pretensa revolução, como todas as outras, termina beneficiando apenas os burocratas que a implementam.

sábado, 16 de julho de 2011

PAIS SUPERPROTETORES, FILHOS REBELDES.

Um congresso sobre pedagogia e casamento realizado na França em 1894 tinha entre suas conclusões a seguinte afirmação:
Nestes fins de século (XIX), difíceis para a família e o matrimônio, os casais que têm crianças sob sua responsabilidade se encontram tão inseguros e têm tanto medo do futuro que tende a proteger obsessivamente seus filhos de qualquer problema que possam ter. Mas é necessário alertar que essa tendência é muito perigosa, pois, se os pais fizerem isso com tanta paixão, os filhos nunca aprenderão a resolver os problemas sozinhos.
Se não formos capazes de reverter tal atitude, teremos no final do século XX, milhões de adultos com a lembrança de infâncias e adolescências maravilhosas e felizes, mas com um presente penoso e um futuro repleto de fracassos.
Jorge Bucay, médico e psicólogo argentino, comenta em seu livro QUANDO ME CONHECI, que esse prognóstico, concebido há mais de 100 anos, surpreende por sua precisão.
Nós, os pais – principalmente os do final do século XX -, desenvolvemos um comportamento mais anulador do que cuidadoso e mais temeroso do que protetor em relação aos nossos filhos. Ao invés de prepará-los para resolver os seus conflitos e suas dificuldades, nós dedicamos a dar-lhes uma infância com facilidades e sem frustrações, com muitas idas aos shoppings em busca de presentes que pudessem  compensar a nossa ausência, justificada  pelos inúmeros compromissos de trabalho.
Apesar das falhas cometidas na educação dos filhos, nós permitimos que se rebelassem, muitas vezes, contra tudo e contra todos.
É bom lembrar que nós, os pais, em sua grande maioria somos oriundos de famílias tradicionais, em que a rebeldia dos infantes não era permitida, principalmente, nos momentos em que os pais usavam a frase tradicional da época: “Cala boca, pirralho!”
Existem filhos que antes de aprenderem a balbuciar a palavra “papai”, aprenderam a perguntar: ”Por quê”. A partir daí surgiu uma geração de crianças e jovens contestadores.
Fomos nós que lhes ensinamos essa rebeldia, especialmente nos momentos em queríamos impor a nossa maneira tradicional de ver as coisas.
Provavelmente, essa é uma grande contribuição que possamos atribuir à nossa geração de pais que de forma indireta, ajudou a formar uma legião de jovens questionadores e conscientes de seu papel em uma sociedade competitiva e consumidora de bens e serviços, refém de um sistema corporativo manipulado pelo marketing agressivo, cuja palavra de ordem é comprar, comprar e... comprar.

EDUCAÇÃO: ENSINO E APRENDIZAGEM.

Jorge Bucay, médico e psicólogo argentino, em seu livro QUANDO ME CONHECI, afirma que uma parte importante de todo o conhecimento adquirido ao longo da vida é transmitida dos pais para os filhos.
Poderemos chamar esta “educação de formal,” que é transmitida por meio de ordens, conselhos, prêmios e castigos. A educação “não formal” é transmitida pelo que não é dito e é fundamental, porque as crianças têm uma tendência natural de imitar o que veem, principalmente, os exemplos dados pelos adultos.
Existe uma outra forma de ensino que se transmite de geração para geração, incluindo o que está contido em nosso material genético. Atualmente, os estudiosos do comportamento humano reconhecem que existe um verdadeiro manancial de informações que já fazem parte do nosso DNA, que colabora de  forma incisiva, juntamente com as influências emanadas de nossa sociedade, na montagem de nossas estruturas morais, éticas e sociais.
Da mesma forma, os nossos filhos terão a tarefa de levar o nosso legado além de onde nossas limitações o deixaram. E seus futuros filhos terão o compromisso de levar todos estes conhecimentos para gerações seguintes.
Em um mundo expressamente competitivo, em que as mudanças são vertiginosas, todo este aprendizado transmitido às novas gerações, cria uma condição singular de sobrevivência e perpetuação da espécie humana.
Nós fomos criados segundo a velha metáfora que dizia que educar não era dar o peixe, e sim ensinar a pescar. Hoje, em dia este pensamento continua a vigorar como se estivesse realmente adaptado aos novos tempos. Mas, na realidade, não está.
Se, por exemplo, hoje eu der uma vara de pescar ao meu filho e o ensino a pescar, provavelmente, em sua fase jovem, os meus ensinamentos relacionados ao assunto serão suficientes para que ele possa até sobreviver com a arte da pesca.
No entanto, em sua fase adulta, pode ser que não haja mais peixes para pescar, talvez, a forma ensinada não seja mais adequada à captura dos  mesmos.
Logo, penso que a tarefa dos pais, neste momento, é ensinar os filhos a criar e construir suas próprias ferramentas: fabricar sua própria vara, tecer sua própria rede , inventar suas modalidades de pesca. Com isso, é necessário admitir com bastante humildade que ensiná-lo a pescar não será suficiente para enfrentar os novos desafios de um mundo em transição.
Esta dificuldade dos pais em treinar os seus filhos para os problemas que enfrentarão no século XXI está ficando cada vez mais evidente em função do tempo em que o conhecimento humano se duplica. A diminuição progressiva do tempo de duplicação, que atualmente é de cerca de 20 anos, é uma das causas das crises existenciais entre pais e filhos.
Logo, por mais que os tempos sejam de mudanças, não poderemos deixar de passar aos nossos descendentes, um legado moral e ético em  que o respeito e a honestidade sejam marcos fundamentais na construção de uma nova sociedade.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

EDUCAÇÃO: NOVOS DESAFIOS, NOVOS PARADÍGMAS.

Publica-se cada vez mais na imprensa, que este século será o do conhecimento humano. Em nenhuma época anterior a esta que estamos vivendo, a humanidade foi atropelada por uma quantidade avassaladora de "novos saberes", principalmente através da internet.

Paradoxalmente, a esta abundância de conhecimentos que nos permite acessar as conquistas humanas em quase todas as áreas do saber, torna-se extremamente preocupante, o fato de que este excesso de conteúdo não está sendo devidamente processado em nosso cérebro. Ou seja, as informações obtidas através das diferentes fontes de consulta, não estão sendo racionalmente compreendidas e assimiladas de forma harmônica pelo nosso intelecto.

Logo, mais importante do que ter o acesso ao conhecimento, é ter tempo suficiente para refletir a respeito da sua importância e de sua aplicabilidade.

Todo este texto introdutório, justifica-se a minha preocupação em relação aos paradígmas da educação majoritária aplicada na maioria de nossas escolas. Como é do conhecimento geral, principalmente dos pais que têm filhos em idade escolar, possuidores de média à alta escolaridade, a grade curricular da maioria das instituições acadêmicas do país está centrada no Conhecimento. Os alunos, em sua maioria, são obrigados a armazenar uma quantidade absurda e muitas vezes desumana de conteúdos; algumas vezes sofisticados, para o seu grau de amadurecimento cerebral; o que de  certa forma é um contrasenso e uma perda enorme de tempo.
Recentemente foi feita uma pesquisa sobre ex-alunos, em uma tradicional universidade americana. Nesta pesquisa, a instituição procurou saber como eles  estavam no mercado de trabalho. Espantosamente, concluiu-se que os  mais bem sucedidos no mercado ocupacional não foram, preferencialmente, aqueles que obtiveram os melhores graus de aproveitamento acadêmico. Muitas vezes, pelo contrário, eram aqueles não tão brilhantes na área cognitiva, mas competentes na arte de fazer amigos, sobretudo, através das chamadas redes sociais. Utilizando estes meios de comunicação "on line ", conseguiram fazer parte de uma teia de contatos que, provavelmente, muito contribuiu para alavancar as suas carreiras profissionais.

De certa forma, nunca fui favorável a este excesso de informações imposto ao aluno. Até porque, considero que a escola deva ser um ambiente holístico, integral, agradável, desafiador e de busca natural do conhecimento como também de relacionamento social e crescimento do "eu interior" individual. Lembrando as palavras escritas no portal de entrada para consulta ao Oráculo de Delphos, famoso oráculo da antiguidade grega: " Conhece-te a ti mesmo e conhecerás a natureza e os deuses." Segundo a minha visão, a felicidade humana está dentro de cada um de nós. Para buscarmos a sua compreensão, se faz necessário, muitas vezes, tentarmos conhecer as nossas próprias verdades; como dizia Sócrates em sua frase lapidar: " Conheça-te a ti mesmo." Muitas vezes, as respostas para os nossos questionamentos estão em nosso interior. Daí, a importância da nossa introspecção. Através dela, podemos alcançar algumas de nossas raízes existencias. É sempre bom refletir que a vida é feita de escolhas. Viver é escolher, saber viver é saber escolher. O resto, é tudo consequência.

Além de ser um "banco de idéias", a escola deve desenvolver no educando, a capacidade de fazer uso da internet, também para aperfeiçoar as redes sociais, quando então o mesmo poderá aperfeiçoar a sua teia de contatos para melhor viabilizar a sua vida acadêmica.
A escola deve aprimorar no aluno, a sua capacidade de comunicação. Neste mundo globalizado, as pessoas que tiverem maior acesso à informação, e como tal, saberem transmití-las com transparência e objetividade terão maiores possibilidades de acessar as melhores vagas no mercado de trabalho. Infelizmente, no mundo  atual, não há chance para os tímidos. Uma das formas de se desenvolver esta habilidade no ambiente escolar é através dos estudos da Filosofia, Sociologia, da Psicologia e das Técnicas Teatrais.

 Neste mundo cada vez mais interativo e dinâmico, onde a competitividade está cada vez mais acirrada e desumana, percebe-se com bastante clareza, que não haverá emprego para todos. Assim sendo, a escola destes tempos, onde a única certeza é a mudança, que vem de maneira rápida, e muitas vezes, de forma irreversível, deverá preparar o seu alunado para se adequar consciente e harmonicamente a este ambientede novos desafios; onde não bastará apenas o domínio das Ciências e das Tecnologias. Será necessário empreender, já na escola, de preferência, com idéias e projetos. Será fundamental que aliado ao saber e as idéias de empreendedorismo , o estudante possa ampliar a sua rede social de contatos, e ao mesmo tempo, possa comunicar-se de forma adequada com os seus interlocutores, enfatizando com argumentos e boa capacidade de oratória, quando necessário, o seu poder de persuasão.

É imprescindível que a Escola ao atuar como um "banco do saber", possa preparar o aluno, antes de qualquer outra coisa, a ser um empreendedor de novas idéias, projetos e sonhos. Lembrando as palavras do professor francês Louis Jacques Filion: "Empreendedor é alguém que imagina, divulga e realiza visões." Inúmeros são os exemplos de pessoas que foram empreendedoras em seus projetos de vida. Através de seus sonhos, conseguiram inventar o futuro, modificaram as suas vidas e trouxeram avanços para a humanidade, através de projetos geradores de emprego e bem estar social.

QUATRO DICAS PARA QUEM ESTÁ ENTRANDO NO ENSINO SUPERIOR

A saída do Ensino Médio e o início dos estudos em uma instituição de ensino superior representam uma grande mudança para a vida do jove...