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domingo, 4 de maio de 2014

Novos velórios tornam-se eventos sociais cercados de luxo e glamour.




Casa de festas? A sede da Funeral Home, no bairro paulistano da Bela Vista, onde há manobristas e salas com decoração temática que alude a Paris e Nova York
Foto: Divulgação / Divulgação

Casa de festas? A sede da Funeral Home, no bairro paulistano da Bela Vista, onde há manobristas e salas com decoração temática que alude a Paris e Nova York Divulgação / Divulgação
Diante da morte, somos todos iguais, diz a sabedoria popular. Mas uns são mais iguais que os outros. Empresas especializadas em funerais personalizados e de luxo se espalham pelo país, fornecendo decoração suntuosa, carro importado para o transporte do féretro e até lembrancinhas para os “convidados”. A tendência, originada nos EUA, ganha força sobretudo em São Paulo.
É na capital paulista que funciona a Funeral Home, aberta em 2008. A empresa ocupa um casarão tombado na Bela Vista com quatro salas para velórios com decorações temáticas, inspiradas em cidades como Paris e Nova York. Os que vão se despedir de alguém ali contam com manobrista na entrada e ganham mimos na saída. Já houve quem optasse pelos tradicionais santinhos, por flores e até por um doce batizado de bem-velado, versão fúnebre do bem-casado. As famílias podem escolher três diferentes tipos de bufê. E a empresa organiza também cerimônias em outros lugares, como a casa do morto. É o velório delivery.
- Sempre viajei bastante e observava esse tipo de cerimônia em outros países. Nossa ideia não é só oferecer luxo, mas também segurança e conforto - afirma Milena Toscano, diretora da empresa.
Em seu site, a Funeral Home apresenta, entre suas “missões”, atender quem deseja homenagear a memória de um membro da família. A deferência à pessoa morta é, aliás, o principal objetivo dos familiares ao escolher velórios personalizados, argumentam empresários do segmento.
- Em um momento tão especial, é importante ter um ambiente amigável. A arquitetura funerária, antes vista como pesada, se modernizou - defende o empresário Lourival Panhozzi, no mercado há 39 anos.
Sócio da Prever, de assistência familiar, e presidente da Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário, Panhozzi calcula que as companhias que oferecem serviços customizados correspondem a 15% do total de 5.500 negócios no país.
Pacotes de até R$ 20 mil
O empresário construiu o Complexo Funerário Orlando Panhozzi, de 3.500 metros quadrados, em Botucatu (SP). Lá são realizadas cerimônias que custam até R$ 20 mil e incluem salas reservadas a parentes do morto, serviço de bufê e carro funerário com luz de LED. Música clássica, em geral, e sucessos da cantora new age Enya são as principais pedidas de familiares quando se trata da trilha sonora que acompanha o transporte do corpo até o cemitério, conta Panhozzi, que recorre ao filósofo Heráclito para explicar o seu negócio:
- Ninguém entra duas vezes no mesmo rio. Quando mergulha pela segunda vez, a pessoa já se modificou. É assim também com quem vai a um velório. Esperamos que dali saia um pessoa diferente, melhor.
Outra referência no segmento é Maria Aparecida Lima. Conhecida como promoter de funerais, ela está à frente da Pax Apoio Familiar, em São Paulo. Entre as solicitações de clientes que já atendeu, estão música ao vivo, tapete persa e até pétalas de rosa lançadas por um helicóptero.
- Em alguns casos, trata-se de realizar um último desejo do falecido afirma. - Um dos únicos pedidos que não consegui atender foi o de um homem que queria pés de cana e limão sobre o seu túmulo. Em vida, ele brincava que, assim, poderia fazer caipirinhas eternamente. O cemitério não autorizou.
Se empresários do setor defendem que a personalização dos velórios é uma forma de demonstrar afeto pelo falecido, antropólogos analisam as cerimônias como sintomas da sociedade de consumo e individualismo.
‘É consumismo’, diz antropólogo
- Uma das características da sociedade contemporânea é a individualização. Cada vez menos as pessoas se conformam em ser tratadas como qualquer um. E os empresários da área funerária descobriram o filão - observa o antropólogo José Carlos Rodrigues, professor da PUC-Rio, que sugere ainda que a espetaculização dos funerais está relacionada a estratégias de dissimulação e descaracterização da morte.
Professor de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás (UFG), Rogério Bianchi de Araújo também critica o modelo. Segundo ele, a sofisticação dos funerais é produto da valorização excessiva das aparências.
- Estamos imersos numa sociedade de consumo, e até a morte passa por isso - avalia. - É o mundo da imagem, em que a estética supera a ética. Acho que a homenagem fica num segundo plano ou atrelada a uma lógica de mercado. É a homenagem esteticamente produzida.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/novos-velorios-tornam-se-eventos-sociais-cercados-de-luxo-glamour-12374769#ixzz30nJvPV8W 
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sábado, 16 de julho de 2011

PAIS SUPERPROTETORES, FILHOS REBELDES.

Um congresso sobre pedagogia e casamento realizado na França em 1894 tinha entre suas conclusões a seguinte afirmação:
Nestes fins de século (XIX), difíceis para a família e o matrimônio, os casais que têm crianças sob sua responsabilidade se encontram tão inseguros e têm tanto medo do futuro que tende a proteger obsessivamente seus filhos de qualquer problema que possam ter. Mas é necessário alertar que essa tendência é muito perigosa, pois, se os pais fizerem isso com tanta paixão, os filhos nunca aprenderão a resolver os problemas sozinhos.
Se não formos capazes de reverter tal atitude, teremos no final do século XX, milhões de adultos com a lembrança de infâncias e adolescências maravilhosas e felizes, mas com um presente penoso e um futuro repleto de fracassos.
Jorge Bucay, médico e psicólogo argentino, comenta em seu livro QUANDO ME CONHECI, que esse prognóstico, concebido há mais de 100 anos, surpreende por sua precisão.
Nós, os pais – principalmente os do final do século XX -, desenvolvemos um comportamento mais anulador do que cuidadoso e mais temeroso do que protetor em relação aos nossos filhos. Ao invés de prepará-los para resolver os seus conflitos e suas dificuldades, nós dedicamos a dar-lhes uma infância com facilidades e sem frustrações, com muitas idas aos shoppings em busca de presentes que pudessem  compensar a nossa ausência, justificada  pelos inúmeros compromissos de trabalho.
Apesar das falhas cometidas na educação dos filhos, nós permitimos que se rebelassem, muitas vezes, contra tudo e contra todos.
É bom lembrar que nós, os pais, em sua grande maioria somos oriundos de famílias tradicionais, em que a rebeldia dos infantes não era permitida, principalmente, nos momentos em que os pais usavam a frase tradicional da época: “Cala boca, pirralho!”
Existem filhos que antes de aprenderem a balbuciar a palavra “papai”, aprenderam a perguntar: ”Por quê”. A partir daí surgiu uma geração de crianças e jovens contestadores.
Fomos nós que lhes ensinamos essa rebeldia, especialmente nos momentos em queríamos impor a nossa maneira tradicional de ver as coisas.
Provavelmente, essa é uma grande contribuição que possamos atribuir à nossa geração de pais que de forma indireta, ajudou a formar uma legião de jovens questionadores e conscientes de seu papel em uma sociedade competitiva e consumidora de bens e serviços, refém de um sistema corporativo manipulado pelo marketing agressivo, cuja palavra de ordem é comprar, comprar e... comprar.

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A saída do Ensino Médio e o início dos estudos em uma instituição de ensino superior representam uma grande mudança para a vida do jove...