segunda-feira, 7 de julho de 2014

A Responsabilidade Civil dos Médicos.

Publicado por Líbero de Andrade Filho - 1 dia atrás
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Primeiramente, devemos analisar se o relacionamento médico-paciente é ou não uma relação de consumo, e como tal, regida pelo Código de Defesa do Consumidor. Entende a nossa doutrina que sim, e, consequentemente o CDC se aplica às relações ente médico e paciente.
Ocorre que o nosso Código do Consumidor, em seu Artigo 14 determina a responsabilidade objetiva do fornecedor de produtos ou serviços. Mas o que significa isso? Significa que o fornecedor responde independentemente de culpa pelos danos causados ao consumidor. Tal instituto foi criado pela lei para agilizar e tornar mais efetiva e eficiente a proteção e a reparação de danos ao consumidor. Tomemos como exemplo um passageiro que embarca em um avião de carreira e este vem a cair ocasionando não só a sua morte como a de todos os demais passageiros. Imagine que as famílias dos passageiros tivessem que brigar judicialmente com a companhia aérea pleiteando uma indenização. Se não houvesse o instituto da responsabilidade civil objetiva, seria uma briga interminável, pois uma série de fatores poderia ter ocasionado a queda da aeronave, tais como, condições meteorológicas, falha humana, falha de manutenção no avião, defeito de fabricação, entre tantos outros. Logo o consumidor se veria em uma briga infinita e interminável para se averiguar de quem foi a responsabilidade pelo acidente. Graças à responsabilidade civil objetiva do fornecedor isso não ocorre, a responsabilidade civil de indenizar a vida dos passageiros é da companhia aérea e pronto, pois foi ela que forneceu o serviço e celebrou o contrato de transporte com os passageiros. Caso venha a se constatar que, por exemplo o acidente ocorreu por defeito de fabricação da aeronave, a cia aérea terá direito à ação de regresso para cobrar do fabricante do avião tudo o que gastou com as indenizações. Desta forma se resguarda o direito dos consumidores.
E quanto aos médicos, uma vez qualificados como fornecedores de serviços, esta regra se aplica? Não, não se aplica, o Artigo 14 parágrafo 4.º do CDC determina, corretamente, que a responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa. Isto se aplica a médicos, dentistas, advogados, fisioterapeutas, veterinários, entre outras categorias profissionais. Tal determinação legal ocorre porque a atividade dos médicos é uma obrigação de meio, e não de resultado; explicando, ao assumir o tratamento de um paciente o médico se obriga a prestar-lhe todos os cuidados e recursos necessários e possíveis, dentro da sua capacidade, conforme o que a medicina dispuser, em nenhum momento o médico se obriga a curar o paciente, até mesmo porque sabemos que há casos em que a cura não será possível. Assim, a relação médico paciente é uma obrigação contratual, em que o médico assume a responsabilidade de cuidar do paciente da melhor e mais competente forma possível, jamais de curá-lo ou de devolver-lhe a saúde.
Para que o médico seja responsabilizado civilmente e tenha obrigação de indenizar um paciente ou sua família, necessário se faz comprovar que tenha agido com culpa. Mas o que é culpa? Culpa, juridicamente falando, é negligência, imprudência ou imperícia. Negligência é o “pouco caso”, é não ter a devida atenção, diligência e cuidado para com o paciente, como no caso, infelizmente não tão raro de gazes e objetos esquecidos no corpo do paciente após uma cirurgia. Imprudência é não agir com a devida precaução, como por exemplo, usar de tratamentos arriscados desnecessariamente ou ainda não efetivamente testados e de eficácia comprovada. Já imperícia é o exercício de alguma atividade para a qual não se está devidamente qualificado e capacitado, com é o caso de profissionais médicos não habilitados para a prática de cirurgias estéticas, as praticando e ocasionando até mesmo deformidades nas paciente, casos esses, lamentavelmente frequentes na mídia. Caso seja comprovada a culpa do profissional médico, e, para isso é necessário um devido processo legal, garantida a ampla defesa, aí sim, e somente aí será o médico obrigado a indenizar o paciente ou a seus familiares.
Mas há uma exceção a essa regra, um caso em que o médico responde objetivamente, que é o caso da cirurgia plástica estética. Isso ocorre porque, ao contrário da atividade médica tradicional neste caso se tem uma obrigação de resultado e não de meio. Ao procurar um cirurgião plástico, para, por exemplo, corrigir determinado defeito físico, o paciente espera um resultado estético, resultado este que o profissional médico se compromete a atingir, logo é um caso diverso, e não sendo o resultado esperado pelo paciente, este pode acionar judicialmente o médico pleiteando uma correção ou uma reparação por danos físicos, estéticos e morais.
LÍBERO COELHO DE ANDRADE FILHO é advogado, pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil especializado entre outras áreas em Direito do Consumidor.
Líbero de Andrade Filho
Publicado por Líbero de Andrade Filho
Administrador de Empresas e Advogado especializado nas áreas cível, consumidor, imobiliária e trabalhista. Sócio diretor da EDITORA...

Neymar fora da copa: houve crime?

Publicado por Luiz Flávio Gomes - 9 horas atrás
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Meus amigos: do ponto de vista do direito penal não há nenhuma dúvida de que o lateral colombiano Zúñiga, com sua atrabiliária entrada, gerou risco proibido e cometeu formalmente o delito de lesão corporal de natureza grave (grave porque Neymar ficará mais de 30 dias impossibilitado para suas atividades esportivas). Pode ter havido dolo direto (intenção inequívoca de lesar), dolo eventual (assumiu o risco de produzir o resultado), culpa consciente (previu o resultado, mas não o queria) ou culpa inconsciente (nem sequer previu o resultado).
De qualquer modo, tratou-se inequivocamente da geração de um risco proibido (e, portanto, ilícito). Quando um jogador disputa a bola e vai na bola, estamos diante de um risco permitido (isso está permitido pelas regras do jogo). Quando o jogador não vai na bola, sim, somente no corpo do outro atleta, surge o chamado (por Roxin) risco proibido. O risco proibido gera formalmente um ilícito. O ilícito pode ser desportivo ou criminal. O ilícito desportivo constitui formalmente um crime (no caso do Neymar, lesão corporal grave). Mas isso não significa automaticamente a incidência do direito penal. Por quê?
Nos eventos esportivos, mesmo quando há um fato formalmente criminoso decorrente da geração de um risco proibido (jogada não permitida pelo esporte, como a mordida de Suarez ou a fratura causada por Zúñiga), por que o jogador não é preso em flagrante?
Não se prende em flagrante o jogador (que, normalmente, nem sequer responde a um processo criminal) em virtude de um relevante princípio do direito penal: o da subsidiariedade, que é expressão da intervenção mínima do direito penal. Quando outros ramos do direito cuidam do assunto e é suficiente, o direito penal fica afastado (visto que ele só pode intervir minimamente, em último caso).
Há uma expressão latina que bem expressa isso: ultima ratio, isto é, o direito penal é o último instrumento do qual temos que nos valer para punir aqueles que se desviam das condutas esperadas, infringindo as normas. Se o direito desportivo é suficiente, fica eliminado o direito penal. Essa lógica é frequente no futebol: se uma advertência é suficiente, o árbitro evita o cartão amarelo; se este é suficiente, posterga-se o vermelho; se as sanções desportivas são suficientes, afasta-se o direito penal.
É isso que explica a razão pela qual Suarez não foi processado criminalmente (foi, no entanto, punido pela Fifa, que também deve punir Zúñiga). Enquanto as sanções da Fifa (nos casos dos ilícitos ocorridos durante uma partida de futebol, dentro do gramado) são suficientes, deixa de incidir o direito penal. Diga-se de passagem, as sanções da Fifa não são suaves e, ademais, são normalmente rápidas (ela trabalha com a certeza do castigo, algo que não acontece com o direito penal, que é demorado e bastante falível). Lamentamos a perda do nosso craque, mas temos que cuidar das nossas emoções, que muitas vezes fazem pó da razão. Na internet já eclodiu o desejo de justiçamento (vingança contra o jogador e sua família). É assim que começam muitos linchamentos (como foi o caso de Fabiane Maria de Jesus, em Guarujá). E linchamento é a negação da civilidade que nós, brasileiros, demonstramos frente aos estrangeiros durante esta Copa do Mundo.
Luiz Flávio Gomes
Publicado por Luiz Flávio Gomes
Jurista e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz...

Seguro-fiança: saiba como funciona antes de contratar.

SÃO PAULO - O seguro-fiança é uma opção de garantia para quem deseja alugar um imóvel, mas não possui um fiador.
"É preciso conhecer muito bem a pessoa e ter plena confiança em sua honestidade para ser seu fiador. Em caso de inadimplência, quem sofrerá as consequências será o fiador", explica o especialista em Direito Imobiliário, Carlos Samuel de Oliveira Freitas.
Um dos motivos para que modalidade venha ganhando cada vez mais espaço nos contratos de alugueis, já que vale como garantia e segurança tanto para o proprietário do imóvel, quanto para o inquilino.
Além de dispensar o fiador e assegurar o valor do aluguel, o seguro cobre todas as obrigações locatícias, como multas, encargos e danos ao imóvel. “O seguro beneficia os dois lados. Oferece mais comodidade ao inquilino e segurança ao proprietário, já que é possível contratar o seguro com cobertura para todos os tipos de locação, não havendo risco de ter prejuízo", conta Freitas.
Conheça melhor
Para contratar esse tipo de seguro, é importante que o consumidor procure a orientação de um profissional. O custo fica, em média, o valor de um aluguel e meio por ano. “Outra vantagem do seguro-fiança é que o proprietário do imóvel não precisa depender do desfecho de processos judiciais, se o inquilino deixar de cumprir com as suas obrigações", esclarece Freitas.
A efetivação do contrato acontece mediante à comprovação de renda mensal equivalente a quatro vezes o valor mensal do aluguel pelo inquilino. Esta renda pode ser composta por até três moradores do imóvel.
A validade do seguro deve ser de um ano e a renovação é obrigatória. "O seguro ainda pode ser válido durante o todo o prazo do contrato. O locatário pode parcelar o valor desta garantia", conta.
Em caso de inadimplência, após o primeiro aluguel em atraso, o proprietário do imóvel deve fazer um comunicado direto para a seguradora. Após isso, ele receberá o valor pendente em até 30 dias e, enquanto não houver uma solução entre as partes, a seguradora continuará efetuando o pagamento dos alugueis.
O seguro-fiança também cobre as despesas do processo de despejo, os honorários advocatícios e é a melhor forma do proprietário receber os alugueres e encargos independentemente do pagamento do inquilino.
Segundo Freitas, as seguradoras agregrando novos serviços ao seguro-fiança. Hoje já é possível encontrar a garantia com cobertura para pintura, manutenção elétrica e hidráulica. "O valor do seguro-fiança é considerado alto, mas com o aumento da demanda a expectativa é que o preço se torne mais atrativo", finaliza.

sábado, 5 de julho de 2014

A importância da leitura para o seu bebê.




JÚLIA MANGLANO
Sexta-Feira 04/07/14

Matéria do Estadão de domingo fala sobre a recomendação da Academia Americana de Pediatria de que os pais leiam para seus bebês. Isso é fundamental para estimular a inteligência da criança desde cedo. Veja como fazer isso.


Na edição do último domingo, o caderno Alías, do  Estadão,  trouxe uma matéria muito interessante. A reportagem de Lúcia Guimarães, Amor Impresso ,  fala sobre a recomendação da Academia Americana de Pediatria de que os pais leiam para seus filhos desde o nascimento.
A leitura é de grande importância para o desenvolvimento da inteligência dos bebês e filhos porque é uma função superior do cérebro e ajuda a desenvolver conexões neurológicas.
Além disso, é uma fonte de diversão e alegria;  proporciona a aquisição de cultura, conhecimentos e valores.
Os bebês adoram ler! Eles têm um prazer inato em aprender e os pais podem fomentar este gosto pela leitura desde pequenos.
Mas como?
Lendo histórias para eles, o que gera proximidade física, faz o bebê se sentir  amado e, além disso, a criança vai vendo como se viram as páginas, percebe que se lê da esquerda para a direita, que as palavras são separadas e que as estórias têm começo, meio e fim.
Além disso,  a leitura ajuda a desenvolver  várias habilidades nos bebês:
- poder de concentração e de observação;
- a fala;
- o vocabulário;
- criatividade e imaginação;
- pensamento lógico na futura criação de textos;
- inteligência emocional, porque percebem como outras pessoas pensam e sentem nas histórias;
- relacionamento social, porque os livros fornecem situações para que expressem seus sentimentos e suas opiniões;
- melhor compreensão do mundo e espírito crítico.

Como ler para os bebês?
- Pegá-los no colo;
- Ler em velocidade normal;
- Dramatizar os diálogos;
- Fazer comentários e apontar com o dedo os desenhos e palavras;
- Encorajar, nunca forçar e respeitar suas preferências.

Como motivar?
- Montar uma estante ou caixa para os livros do filho que fique fácil para ele alcançar;
- Colocar livros no carro e em vários ambientes da casa;
- Mostrar que os livros são preciosos, que precisam ser cuidados;
- Dar livros de presente em ocasiões especiais para mostrar o valor da leitura;
- E finalmente dar o modelo, ou seja, que os filhos vejam os pais lendo com gosto.

Ler para os filhos desde pequenos é um grande presente que os pais podem dar a eles.

“Give your child the gift of literacy!”
Glenn Doman

quinta-feira, 3 de julho de 2014

15 Ensinamentos do Caminho de Santiago.


Em 25 dias, a jornalista Marina Bessa percorreu sozinha 729 km no caminho francês para Santiago de Compostela. Tempo suficiente para imergir em uma rotina nova e aprender lições valiosas com os peregrinos.


PORMarina Bessa/ Ilustração: Vanessa Kinoshita

Edição 137



O caminho de santiago entrou na minha vida há alguns anos, quando morei em Pamplona, primeira grande cidade espanhola pela qual passa o trajeto deperegrinação mais famoso do mundo. Existem muitas rotas que levam aSantiago - o mais conhecido é o francês, que começa, oficialmente, em Saint Jean Pied de Port, na França. Mas peregrinos não gostam de determinações oficiais. Isso porque consideram que essa é uma jornada individual, que pode começar onde você desejar, ser feita como você decidir e no tempo que necessitar. Não há certo ou errado. Há apenas a sua experiência e um desejo implícito de chegar diferente ao final do percurso.

No meu caso, não houve grandes revelações, ou sensações arrebatadoras. Cheguei até a pensar que, apesar da viagem inesquecível, nenhuma transformação ocorreria.

Mas, sem nos darmos conta, a caminhada diária de cerca de oito horas nos transporta a uma realidade paralela, em que nossa jornada é construída do zero. Onde ninguém sabe quem você é, o que faz, nem mesmo como se veste. Um pé atrás do outro, um dia atrás do outro, poucas decisões a serem feitas - acordar, caminhar, comer, dormir. E, aos poucos, seu corpo e sua cabeça entram em uma sintonia inédita, que muda seu olhar, sua resistência, sua percepção dos espaços e do tempo.

Ao terminar o percurso e olhar para trás, vi que o caminho é mesmo uma metáfora da vida. Dos vários ensinamentos, listei apenas aqueles que, até o momento, consegui decifrar.


Generosidade aquece a vida

Peregrinos são, por definição, amáveis e gentis. Sempre que passam, desejam "Buen camino!". Sempre que encontram alguém cuidando dos pés, oferecem ajuda. Sempre abrem um sorriso para quem chega para dividir a mesa. Em cinco minutos, você faz amigos capazes de te ceder uma cama, oferecer os seus últimos anti-inflamatórios, diminuir o passo para te acompanhar por perceber que o dia está sendo duro para você. Acredite: você faria o mesmo. No caminho, é a predisposição em ser generosos que nos cerca de amigos e nos faz sentir queridos, protegidos e sempre acompanhados.


A gente se adapta, sempre

Eu achava que não iria caminhar sob chuva, que não iria suportar os albergues, que sentiria dor nas costas por carregar uma mochila de 6 kg durante todo o dia. Mas vi que a gente se adapta. Ao calor, ao frio, à chuva, ao vento. A gente se adapta a uma nova comida, a uma cama diferente a cada noite, aos roncos dos peregrinos cansados. A gente se adapta às pedras do caminho, ao asfalto quente, à trilha com barro encharcado. O que parecia difícil no começo logo vira uma rotina fácil de ser manejada.


A cabeça está no comando

Nos dias em que a minha meta era caminhar 20 km, os últimos quilômetros eram muito difíceis. Nos dias em que teria de caminhar 30 km, 20 eram fichinha e os últimos cinco ficavam intermináveis. Cheguei a caminhar 43 km em um dia, e adivinha? Os 30 primeiros passaram sem eu ver, e só nos últimos comecei a sentir sinais de cansaço. Não importa a quantidade: é a cabeça quem determina os limites. O corpo é forte e só chia quando ela avisa: "ei, já está quase acabando. Pode relaxar."


O corpo fala

Você quer estar bem, pés sem bolhas, pernas fortes. O melhor a fazer é cuidar para detectar qualquer sinal de problema antes que ele dê as caras deverdade. O corpo dá todas as pistas: uma sensibilidade diferente nos dedos é sinal de que uma bolha vai aparecer, uma dorzinha de leve no tornozelo pode indicar uma tendinite, muito tempo sem ir ao banheiro é sintoma dedesidratação. Quem insiste em ignorar essas mensagens tem constantemente a sua caminhada interrompida. Os que escutam e atendem a esses chamados têm um caminho bem mais fácil e aumentam consideravelmente as chances dechegar bem até o final.


A beleza está por toda parte

Algumas paisagens são obviamente bonitas: montanhas verdes sob céu azul, um rio correndo entre campos floridos. Essa paisagem existe no caminho. Mas há também os dias de chuva, vilas abandonadas, campos áridos, planícies infinitas. E todas elas dão belíssimas fotos e são capazes de emocionar. Basta procurar o ângulo certo.


Depois da tempestade, vem a bonança

Houve dias de muito sol, de céu claro. E houve dias de chuva. Nesses dias, vestia minha capa impermeável e colocava música (estratégia reservada somente para os momentos mais desafiadores). Aí eu apenas andava, sem pensar no destino. Não havia nada que pudesse ser feito: era aceitar e esperar. Podia levar algumas horas ou alguns dias, mas a chuva sempre passava. E as más lembranças eram totalmente apagadas por um novo dia desol.


O caminho mais fácil nunca é o mais bonito

Às vezes o caminho se bifurca e você pode optar por seguir por uma estrada mais curta ou pegar uma trilha mais longa e montanhosa. Quem vai pela estrada sempre chega antes e mais descansado. Quem vai pela trilha chega tarde e esgotado. Mas sempre com as melhores histórias, as fotos mais lindas e uma sensação inigualável de ter superado um desafio.


As suas escolhas constroem o seu caminho

Havia algumas escolhas a se fazer: de onde vou começar? Vou dormir em albergues ou pensões? Andar em grupo ou seguir sozinha? Sair cedo para aproveitar a cidade de destino ou ir sem pressa para chegar, aproveitando as pequenas surpresas do percurso? O caminho é feito de escolhas. Nem mais certas nem mais erradas. Mas determinantes e, muitas vezes, irreversíveis. Elas fazem com que o seu caminho seja só seu.


Um pouco de planejamento estrutura. O excesso aprisiona

Era importante começar o dia sabendo em que cidade eu pretendia dormir. Foi fundamental estudar o percurso para saber se precisava levar mais água ou algum lanche. Por outro lado, sair de casa com todas as paradas decididas, hotéis reservados e data de chegada inflexível quase tornou minha jornada burocrática. Como planejar tanto alguma coisa que você não conhece? É preciso deixar espaço para o improviso - ele pode mudar nossos planos para melhor.


Despedir-se

Faz parte da vida a gente conhece pessoas incríveis pelo caminho, com quem compartilha momentos inesquecíveis. Mas sempre chega a hora de dizer adeus - depois de um dia, uma semana ou um mês. É preciso ter consciência disso, não para evitar o apego, mas para desfrutar com intensidade cada momento que vai passar com elas. E quando for a hora de se despedir, é preciso deixar claro o quanto elas foram importantes para o seu caminho. Sua felicidade não pode depender de ninguém, mas é bom saber que com algumas pessoas você é ainda mais feliz.


Esteja sempre atento

Aos sinais o caminho é todo marcado por sinais: quem está atento dificilmente se perde. Em uma bifurcação, bastava parar, olhar atentamente e buscar a seta amarela. Ela sempre estava ali, mostrando por onde seguir. A vida também é assim, cheia de sinais. Mas é preciso estar pronto para decifrá-los (de que serve uma seta amarela na sua frente se você não sabe o que ela significa?).


Você carrega o peso dos seus medos

Para ter um caminho tranquilo, é preciso levar uma mochila leve. E o que deixa a mochila pesada são nossos medos. Medo de ficar doente, de passar frio, deter fome. E aí a mochila se enche de itens desnecessários. Há farmácias, lojas, vendas pelo caminho. Encher a mochila é sofrer por antecipação e tornar a jornada muito mais penosa.


Pessoas são a essência de tudo

Terminado o caminho, são muitas as lembranças. E elas estão cheias derostos. Às vezes me esqueço do nome de um vilarejo, mas nunca de quem me acompanhou naquele dia. Posso não me lembrar do que jantei em um restaurante, mas sempre me lembro de quem jantou comigo. Os lugares foram melhores ou piores de acordo com a companhia do dia. Cerque-se das pessoas certas e tudo estará bem.


Somos todos iguais

Na mochila cabem poucas coisas - só as essenciais. Todos usam as mesmas vestimentas, dormem em lugares simples, comem nos pequenos bares que encontram pelo caminho. Ali, a gente se despe de qualquer vaidade, perde a profissão, deixa para trás o passado. Não é possível fazer qualquer distinção entre classes sociais, raças ou credos. No caminho, resumidos à nossa essência, todos somos iguais.


O importante não é chegar, é caminhar

Chegar a Santiago não é a melhor parte, nem o dia mais importante da viagem: é só uma consequência inevitável. O desfecho do qual não é possível fugir (e quem não escolheria caminhar mais um pouco?). Mais importante que chegar é aproveitar cada dia do caminho. A nostalgia de chegar ao final é inevitável. Ela pode gerar uma tristeza imensa por representar o fim de todas as possibilidades ou ser compensada pela sensação plena de ter vivido intensamente.


Marina Bessa é jornalista, morou na Espanha e achou que o Caminho seria apenas um jeito divertido de unir turismo e atividade física.

Aos 111 anos, mulher recebe diploma de graduação de décadas após parar de ir à escola.

24/06/2014 09h16 - ATUALIZADA EM: 24/06/2014 10h03 - por Redação Marie Claire

Escola do estado americano da Virgínia entregou documento para idosa em uma cerimônia que lembrou seus trabalhos pela comunidade local

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AMERICANA GANHA DIPLOMA AOS 111 ANOS DE IDADE (Foto: GETTY IMAGES)
Lela Babb Burden, uma americana de 111 anos de idade, recebeu um diploma honorário da escola Booker T. Washington, no estado americano da Virgínia, nove décadas após parar de estudar. A homenagem reconheceu o trabalho que realizou ao longo dos anos para a comunidade local, segundo informou o site Huffington Post.
A cerimônia que entregou o documento teve a participação da família da americana e foi organizada secretamente para surpreendê-la. "A Sra. Burden contribuiu com a comunidade por 111 anos", lembrou o superintendente da escola, Samuel T. King, durante o discurso. "Ela se sacrificou, mas nunca renunciou seu comprometimento com o aprendizado durante na vida. Somos privilegiados em entregar um diploma honorário, simbolizando a importância vital da educação livre e pública para todos." Um vídeo em inglês mostra um trecho da homenagem.
Apesar da idade, a americana não perdeu a paixão pela vida, nem o interesse por assuntos políticos. Burden lê jornais todos os dias e votou na eleição presidencial dos Estados Undos em 2012. "Ainda não estou velha. Ainda sou uma jovem moça", disse Birdem quando completou os 111 anos em maio deste ano.
A americana nasceu em 1903 quando Theodore Roosevelt ainda era presidente dos EUA. Foi criada por um casal de tios, que incentivou seus estudos. Masquando estava na quarta série, uma epidemia de gripe fechou escolas da região temporariamente e nunca mais retornou.
Após deixar a instituição de ensino, Burden começou a ganhar dinheiro trabalhando como babá e limpando casas antes de se casar com um ferroviário chamado French Burden.

QUATRO DICAS PARA QUEM ESTÁ ENTRANDO NO ENSINO SUPERIOR

A saída do Ensino Médio e o início dos estudos em uma instituição de ensino superior representam uma grande mudança para a vida do jove...