sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Deficiência: Impulsividade - Autodeficiência: Contenção.

Deficiência: Impulsividade
Antideficiência: Contenção

Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Esta deficiência atua de forma intempestiva, pois o arrebatamento mental que a caracteriza influi sobre a vontade, obrigando-a a ceder. O pensamento que a excita pareceria estar espreitando uma oportunidade para saltar como a cobra de pano encerrada na caixa de surpresa.
A impulsividade é um pensamento impetuoso que provoca a reação imediata da mente ante qualquer motivo que surja açulando-o; manifesta-se como ato irrefletido do indivíduo.

Há circunstâncias em que ela configura um quadro psicológico contraditório, pois pessoas habitualmente serenas inesperadamente põem em evidência sinais inconfundíveis desta imperfeição, isto é, alteração do ânimo e consentimento ao desafogo mental.

Há deficiências que influem sobre as demais, ora ativando-as, ora forçando-as a compartilhar sua intenção; uma delas é a impulsividade. Tem muito a ver com a indiscrição, pois o impulso irrefletido leva, às vezes, a expressar o que se sente ou se pensa a respeito de pessoas, assuntos ou coisas, apesar do propósito que se tinha de mantê-lo em reserva. Também há circunstâncias em que atua por causa de sua vinculação com a suscetibilidade, o orgulho, a presunção, etc.

A impulsividade altera continuamente a paz interior. Por outro lado, o impulsivo não mede as consequências dos impactos que produz no semelhante, e de seus desplantes surgem com frequência atitudes que destoam do trato exigido pela convivência, tanto dentro da órbita familiar como no meio social que frequenta, onde não são poucas as pessoas que se previnem contra ele.

Faz agir fora de hora, sem oportunidade, sem cálculo, sem medida, e do mesmo modo que afeta com sua manifestação as zonas mentais do indivíduo, influi, nos temperamentos emotivos, sobre a região sensível. Percebe-se isso no choque emocional que impele o ser a identificar-se desmedidamente com a dor alheia. Em alguns casos, a exteriorização do ímpeto emotivo é tão acentuada que alcança contornos lamentáveis. Referimo-nos àquelas pessoas que, esquecendo seus deveres naturais, se deixam envolver em excesso por fatos que deveriam reclamar tão-somente uma parte de sua comiseração.
 
Poucos são os seres humanos afetados pela impulsividade
que têm consciência de que ela é causa de muitos de seus infortúnio
Impedir que suas insolências perturbem a tranquilidade interior ajudará a estabelecer o hábito da contenção, que significa o domínio de uma reação, que tem efeito deprimente sobre o ânimo.

Se temos interesse em levar adiante esse propósito, começaremos por fazer um estudo da deficiência, anotando cada uma das circunstâncias que ocorram à recordação, para mostrar-nos como se manifesta nossa impulsividade e os efeitos negativos que produz. Em seguida, será posta em atividade a antideficiência, a qual, exercitada em todos os momentos, não tardará em nos dar prova de sua grande eficácia como elemento neutralizador da impulsividade.

O hábito da contenção floresce quando se consegue imobilizar a impulsividade, impedindo-a de descarregar seus arrebatamentos. 
Trechos extraídos do livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, p. 42

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A América do Norte é o continente mais afetado pelas catástrofes climáticas.


As mudanças climáticas provocadas pelo homem aumentaram a frequência e a intensidade das catástrofes naturais, como furacões, secas e tempestades. A América do Norte é o continente mais afetado por esses eventos extremos. A América do Sul é o que sofreu menos até agora. Essa é a conclusão de um estudo feito pela seguradora Munich Re. No estudo “Severe weather in North America”, a empresa analisa os perigos climáticos e suas tendências a partir do registro de 30 mil eventos entre 1981 e 2011.
Segundo a Munich Re, o lugar do mundo onde as mudanças climáticas são mais evidentes é a América do Norte. O número de eventos danosos na região quase quintuplicaram nos últimas três décadas. Enquanto eles cresceram quase 5 vezes na América do Norte, o aumento foi de 4 vezes na Ásia, 2,5 vezes na África, 2 vezes na Europa e 1,5 vez na América do Sul. O aquecimento global provocado pelas atividades humanas (queima de combustíveis fósseis e desmatamento) afeta particularmente a formação de ondas de calor, secas, chuvas intensas e, provavelmente, a longo prazo, a intensidade dos ciclones tropicais.
Para a Munich Re, até agora, as perdas em eventos climáticos cresceram por consequência do próprio desenvolvimento humano. Tempestades e enchentes vem causando mais prejuízos econômicos e perdas humanas por causa da expansão urbana e do crescimento populacional, além do próprio enriquecimento das sociedades, que acumulam mais bens – e perdem mais valores diante desses eventos. Mas a frequência e a intensidade desses eventos climáticos estão associadas às mudanças climáticas.
Entre os tipos de eventos incluídos no estudo, os pesquisadores destacam as tempestades. As perdas com elas cresceram nos últimos 40 anos. O estudo aponta duas causas para essa tendência. A primeira é o crescimento urbano, que expõe mais pessoas e mais construções às enchentes e desabamentos. Ao mesmo tempo, os pesquisadores indicam que as mudanças climáticas têm um impacto visível no aumento do poder destrutivo das tempestades. Os pesquisadores também chamam atenção para o risco na agricultura. Quase dois terços da área cultivada nos Estados Unidos foi afetada pela seca este ano. Foi uma das secas mais intensas dos últimos 100 anos.
A tabela acima mostra como a quantidade de eventos vem aumentando entre 1980 e 2010. Os eventos geofísicos (em vermelho), tais como terremotos, têm se mantido estáveis. Estão crescendo os eventos meteorológicos (em verde) como chuvas fortes, os hidrológicos (em azul), como enchentes, e os climatológicos (em amarelo) como as ondas de calor.
É irônico que os Estados Unidos, o maior poluidor e maior responsável histórico pelo acúmulo na atmosfera de gases responsáveis pelas mudanças climáticas, resistam tanto a adotar políticas ousadas para resolver o problema. Nos últimos meses, porém, há razões para acreditar que a opinião pública americana começa a associar as tragédias ambientais recentes à economia poluidora que o país mantém.
(Alexandre Mansur)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Imagem de almoço de operários em arranha-céu de NY completa 80 anos.

Foto de Charles C. Ebbets feita em 1932 é das mais icônicas do século XX.
Especialista analisou negativo e diz não se tratar de uma montagem.

Do G1, em São Paulo
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'Lunch atop a skyscraper' ('Almoço no topo de um arranha-céu'), de Charles C. Ebbets. Imagem histórica completa 80 anos (Foto: Reuters/Charles C. Ebbets/Corbis)'Lunch atop a skyscraper' ('Almoço no topo de um arranha-céu'), de Charles C. Ebbets. Imagem histórica completa 80 anos (Foto: Reuters/Charles C. Ebbets/Corbis)
A imagem intitulada "Almoço no topo de um arranha-céu", considerada uma das mais icônicas do século XX, completa 80 anos nesta quinta-feira (20). Feita em 20 de setembro de 1932, a fotografia mostra trabalhadores almoçando casualmente, sem segurança aparente, no topo dos 69 andares do RCA Building no complexo do Rockefeller Center, no centro de Nova York.
Feita por Charles C. Ebbets durante a construção do edifício, que desde 1986 passou a se chamar GE Building, a imagem levantou suspeitas de montagem desde sua publicação no jornal "New York Herald Tribune" em 2 de outubro de 1932, devido ao claro risco em que os operários se encontram.
A agência de imagens Corbis é a dona do negativo de vidro usado para as reproduções da imagem, e a mantém em uma base subterrânea chamada de Iron Mountain ('Montanha de Ferro') na Pensilvânia, EUA, junto com outras inúmeras fotos históricas.
O periódico britânico "The Telegraph" visitou o local e entrevistou o diretor de fotografia histórica da Corbis, que concordou em analisar o negativo.
Na reportagem em vídeo, Ken Johnston observa detalhes do negativo de vidro, quebrado em quatro pedaços desde 1996, e diz acreditar que se trata de fato do negativo usado na tomada da foto - e não de um negativo posterior feito após uma montagem.

Como tratar os animais.



O etnólogo britânico Michael Appleby, consultor científico da Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA), não tem posições óbvias sobre a ética de nossas relações com os outros animais. Embora entenda que a espécie humana evoluiu caçando e comendo carne, Appleby entende que é preciso ter uma atitude de respeito diante dos bichos. Pesquisador da Universidade de Edimburgo, ele integra o comitê do governo britânico que regula atividades com animais. Ele defende o consumo de carne por necessidades nutricionais e não vê nada de errado em usar produtos de couro. Em entrevista à Época, explicou os limites de nossas atitudes:
Época: Ratos são mais inteligentes e sensíveis do que galinhas. Não deveríamos nos preocupar com o bem estar deles?
Appleby: Sim. É claro que eles nos criam problemas de saúde. Mas defendemos que o controle deve ser feito da forma mais humana possível, evitando venenos que geram morte lenta.
Época: E os peixes que pescamos? Tem sentimentos?
Appleby: Matamos 1 trilhão de peixes todo ano. Há evidências que eles sofrem e sentem dor. Nossa forma de matar os peixes em seu ambiente selvagem está errada.
Época: Mas é uma atividade bíblica. O apóstolo Pedro pescava. Comemos peixe na Semana Santa.
Appleby: É uma discussão complicada. As sociedades evoluem. Coisas aceitáveis no passado não o são o são mais hoje. Era comum operar crianças de três meses sem anestesia porque se acreditava que não sentiam dor.
Época: O senhor é a favor de melhoramento genético animal?
Appleby: Não usaria o termo “melhoramento” porque ele indica que há alguma melhora para o animal. Isso não é verdade. No Reino Unido, há pesquisas para cruzar determinados bovinos e conseguir vacas que produzem mais leite. Não está demonstrado que isso é melhor para o animal. Ao contrário, isso causa problemas de fertilidade e de envelhecimento precoce para o bicho.
Época: Por que o consumidor deveria se importar?
Appleby: A maioria das pessoas fica chocada quando sabe que uma vaca, que viveria até 25 anos, só é mantida na produção de leite por 5 anos. E depois é descartada, como um material usado. Como se uma vida pudesse ser jogada fora assim.
Leia aqui a íntegra da entrevista de Appleby.
(Alexandre Mansur)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Perereca de vidro pesquisada no AM chama atenção pela transparência.

Espécie foi encontrada em 2002 em Presidente Figueiredo, AM.
Anfíbio pode chegar até 24 mm e tem órgãos internos visíveis.

Tiago Melo Do G1 AM
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O pequeno anfíbio, que pode chegar até 24 milímetros de comprimento quando adulto, recebeu este nome devido à pele transparente (Foto: Marcelo Lima/Inpa)Pequeno anfíbio, que pode chegar até 24 milímetros de comprimento quando adulto, recebeu este nome devido à pele transparente (Foto: Marcelo Lima/Inpa)
Com apenas 24 milímetros de comprimento quando adulto, a Hyalinobatrachium iaspidiense, popularmente conhecida como ‘perereca de vidro’, vem chamando a atenção de pesquisadores no Amazonas, principalmente devido à sua transparência. A espécie foi descoberta por pesquisadores durante levantamentos noturnos na área da Cachoeira da Onça em Presidente Figueiredo, município do Amazonas, distante 170 km de Manaus, no ano de 2002.
De dorso verde-claro com pontos negros, ventre transparente, íris verde-amarelada, a perereca de vidro ainda é pouco conhecida no meio científico (Foto: Marcelo Lima/Inpa)De dorso verde-claro e ventre transparente, espécie
ainda é pouco conhecida (Foto: Marcelo Lima/Inpa)
De dorso verde-claro com pontos negros, ventre transparente, íris verde-amarelada e falange terminal dos dedos em forma de ‘T’, a perereca de vidro ainda é pouco conhecida no meio científico. “O homem não olha para os anfíbios com um olhar importante. Muitas vezes acha que os anfíbios são nojentos e que não servem para nada, mas, na verdade, está enganado. Os anfíbios tem grande importância no equilíbrio do meio ambiente”, afirmou Marcelo Lima, biólogo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).
O biólogo informou que a perereca de vidro tem importante função no equílibrio ambiental, já que ela é presa das cobras. Com um possível desaparecimento da espécie, faz com que os seus predadores também corram risco de extinção. “Não tem como precisar se ela corre risco de extinção ou não. Contudo, pode-se afirmar que atitudes como a remoção de mata ciliar deixam a espécie mais vulnerável, pois ela é sensível às modificações ambientais e não pode ficar muito tempo exposta ao sol, correndo o risco de ter a pele ressecada e morrer”, explicou o biólogo.
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Considerada uma espécie voltada para o período noturno, a perereca de vidro se alimenta de invertebrados, principalmente insetos, e tem como predadores as aranhas e serpentes, além do próprio homem, que a extingue sem se dar conta, segundo Marcelo Lima. Sobre o modo de reprodução, o pesquisador explica que todas as espécies de perereca de vidro conhecidas desovam sobre folhas acima da água.
“Em média, as fêmeas depositam cerca de vinte ovos no período chuvoso, entre dezembro e maio. Os ovos se desenvolvem por alguns dias ali. Depois, os girinos rompem a cápsula do ovo, caem na água e permanecem até completarem o desenvolvimento”, afirmou o biólogo, que ainda disse ser desconhecido o tempo de desenvolvimento do animal.
Em média, as fêmeas depositam cerca de vinte ovos no período chuvoso, entre dezembro e maio (Foto: Marcelo Lima/Inpa)Em média, as fêmeas depositam cerca de vinte ovos no período chuvoso, entre dezembro e maio (Foto: Marcelo Lima/Inpa)

Atualmente, no Amazonas, tem-se conhecimento científico de apenas duas espécies de pererecas de vidro, a Vitreorana oyampiensis, descoberta em 1975, e a Hyalinobatrachium iaspidiense, descoberta em 2002.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Queimada amazônica vista do espaço.


Uma foto publicada no observatório da Nasa, a Agência Espacial Americana, chama a atenção para incêndios nas margens do Rio Xingu, na Amazônia. Segundo a Nasa, o acidente ambiental é fruto de queimadas, para retirar a floresta nativa das margens do rio e transformá-la em áreas cultiváveis e pastos.
A foto foi tirada de uma estação espacial, e mostra um pedaço do rio com 63 quilômetros de extensão. É possível ver as praias de areia nas partes mais claras da foto, tirada na época de baixa do rio. E saindo da floresta, vemos a fumaça das queimadas.
O site da Nasa diz que nos últimos anos muito tem sido feito para proteger a região do Xingu. Você concorda? Deixe sua opinião.
(Margarida Telles)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Cocô: tudo o que você sempre quis saber.


Manter o olho atento sobre o cocô é uma maneira excelente de monitorar sua saúde. Alterações podem indicar desde uma alimentação errada até problemas graves, como câncer
por Alison Turner e Gustavo Simon
 
Do início ao fim
Antes de tudo, vamos ao básico (que você já deve conhecer): a comida entra pela boca, passa pelo estômago e por seus intestinos e chega à outra ponta, quando os resíduos não aproveitados, sob a forma de fezes, são enfim liberados. Mas do que é feito isso? E como aquela deliciosa massa com frutos do mar passou de algo apetitoso e cheiroso e virou... bem, virou cocô? Quando a comida chega ao estômago, ácidos digestivos e enzimas que quebram proteínas são liberados. As sobras escapam até o duodeno (a primeira parte do intestino), onde as enzimas do pâncreas são liberadas para quebrar mais proteínas, carboidratos e gorduras. Enquanto o alimento segue o caminho de 8 m pelo intestino delgado, a maior parte dos nutrientes é absorvida. Cá entre nós, tudo o que o intestino sabe fazer é separar nutrientes e água do restante — o trabalho maior é das 200 mil bactérias que passeiam por ele, quebrando tudo o que há para ser digerido.

No final de todo esse processo, que geralmente leva um dia inteiro, o que sobra do jantar são resíduos e coisas que seu corpo não digere, como fibras. Isso tudo forma um bolo fecal de cerca de 200 g — uma lata de conserva. Os restos caminham até o reto e, quando você senta no trono, vão embora.

Seus hábitos determinam a frequência, a quantidade e a qualidade das fezes. "Uma pessoa mantém o intestino saudável ingerindo pouca gordura, muitas fibras e água e fazendo atividade física", orienta o gastroenterologista Ricardo Barbuti, secretário da Federação Brasileira de Gastroenterologia. As fibras, aliás, têm um papel crucial — são elas que dão massa ao bolo fecal e estimulam o trabalho intestinal. "O consumo ideal é de 25 g por dia", diz a nutricionista Anna Christina Castilho, do Instituto de Metabolismo e Nutrição (IMeN). "Atingir a recomendação é fácil, basta consumir uma porção de alimentos integrais ou uma fruta por refeição."

 O que é normal
"Cada pessoa tem um padrão para evacuar, então é difícil estabelecer uma linha de normalidade", explica Barbuti. Um estudo britânico com mais de 2 mil pessoas, conduzido pelas universidades Enfermaria Real de Bristol e Canynge Hall, descobriu que há uma gama bastante ampla de "normalidade" nos hábitos intestinais. Isso quando falamos de aparência (há uma escala de 1 a 6, de massas duras e redondas a algo disforme e pastoso) e de frequência — de três vezes por dia a três vezes por semana. "O ideal é que se evacue no mínimo três vezes na semana, e que haja constância na consistência e na frequência", garante o gastroenterologista.

De forma geral, o que você deveria ver na privada é uma forma única e alongada, segundo o médico americano Anish Sheth, coautor de O Que Seu Cocô Está Dizendo a Você (Ed. Matrix, 96 págs., R$ 17,90). Pequenas bolinhas isoladas indicam falta de coesão da massa fecal — outro problema decorrente da falta de fibras. "As fibras ingeridas são fermentadas por bactérias do intestino e formam um ácido graxo gelatinoso, que atua como uma cola que previne contra o ressecamento e a fragmentação do cocô", diz Sheth.

Por outro lado, fezes compridas e finas estão longe do ideal. "Ocasionalmente todos podem vir a evacuar dessa forma", diz. "Mas geralmente é o esforço excessivo que provoca isso." E quando a coisa aparece ao longo de várias semanas pode indicar algo como câncer no reto — o tumor vai se expandindo e estreitando a cavidade do cólon.

Está boiando?
"O fato de as fezes flutuarem não é ruim", garante o gastroenterologista australiano Terry Bolin. "Isso significa que você está produzindo gases e consumindo fibras em quantidade suficiente." Os gases, afinal, resultam da ação das bactérias que quebram fibras e carboidratos no seu intestino — isso produz metano, hidrogênio e sulfeto de hidrogênio, responsável pelo cheiro ruim.

"Algumas pessoas produzem mais metano, outras produzem mais sulfeto de hidrogênio", esclarece Bolin. (É junto do segundo tipo de pessoas que você não quer ficar presa no elevador). O que determina em qual grupo você se insere depende do tipo de bactérias que você tem no intestino — e isso varia de acordo com a alimentação que sua mãe teve durante a gestação e com o que você comeu até os 7 anos. Mas, em relação ao cheiro das fezes, você tem o poder nas mãos. Proteínas produzem cocôs mais fedidos, assim como alho e cebola podem piorar as coisas.

Se as coisas ficam paradas...
Se as fezes estão longe de ser algo agradável, a falta delas é ainda pior. "O intestino é um órgão meio estúpido", diz a clínica-geral australiana Ginni Mansberg. Quanto mais tempo os resíduos permanecem lá, mais secos e duros eles ficarão.

A prisão de ventre (menos de três idas semanais ao banheiro) eventual não faz tão mal. O problema é quando ela é frequente. Por mais que a falta de fibras leve ao problema, o buraco pode estar mais em cima. "Na maioria das vezes, a causa é mais comportamental do que orgânica — a pessoa segura a vontade de evacuar por vergonha", explica o gastroenterologista Laércio Gomes Lourenço, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Com o tempo, o intestino se acostuma." Significa que aquela história de ‘Eu não consigo ir ao banheiro fora de casa’ é a forma mais eficiente de criar um problema crônico na senhorita.

Para jogar o desconforto pelo ralo, não adianta agora se entupir de aveia — isso pode compactar ainda mais o bolo fecal. Apelar todo o tempo para laxantes menos ainda. "Eles têm substâncias carcinogênicas e componentes irritativos perigosos", diz Lourenço. Beber bastante água é o mais importante. "Os iogurtes probióticos também ajudam a recuperar a função intestinal", diz a nutricionista Anna Christina Castilho. Quando o problema passar, aí sim é hora de comer mais fibras.

QUATRO DICAS PARA QUEM ESTÁ ENTRANDO NO ENSINO SUPERIOR

A saída do Ensino Médio e o início dos estudos em uma instituição de ensino superior representam uma grande mudança para a vida do jove...