segunda-feira, 7 de maio de 2012

Perguntar é o nosso destino.

Somos uma partícula que surge na arena da existência e logo desaparece. Apesar da pequenez do ser humano, nosso pensamento caminha na esfera da imaginação mais rápido do que a luz, e é mais fértil que o solo mais rico. Perambulamos apreensivos durante algumas dezenas de anos em nossa trajetória existencial usando o aparelho psiquico para tentar desvendar o desconhecido, em especial a vida. Perguntar é nosso destino.

Sabemos muitas coisas sobre o mundo que nos cerca, escrevemos milhões de livros sobre o universo físico e biológico, mas sabemos pouquíssimo sobre nós mesmos, nossa psique. O que é pensar? Quais são os limites e alcances dos pensamentos? Quem somos? O que somos? O que é existir? O que é a morte? Quais são as consequências do caos do córtex cerebral enfrentado num túmulo? Quem é o Autor da existência? Deus é real, ou uma construção articulada pelo mundo das ideias? Se Deus existe, por que se esconde atrás da cortina do tempo e do espaço? Por que não mostra sua face, aliviando a inquietação dos ateus e corrigindo as rotas dos religiosos?

Trecho do livro Os Segredos do Pai Nosso, de Augusto Cury

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Consumo diário tem o poder de definir os rumos do planeta

Líderes globais, pesquisadores e economistas tentam conciliar a expansão da classe média à necessidade de estabelecer padrões de consumo menos agressivos ao meio ambiente

Márcia Régis, do Rio de Janeiro
Mulheres carregam sacolas da Primark shoppin , em Londres
Mulheres carregam sacolas da Primark shopping, em Londres   (Dan Kitwood/Getty Images)
De alimentos a computadores, de maquiagem a automóveis, os produtos que a humanidade consome vêm moldando o planeta. A economia que move o mundo também pode destruí-lo. Para ambientalistas, economistas, cientistas e líderes globais, essa é uma equação complexa sobre a mesa, agravada pela expansão das novas classes médias: como convencer um imenso contingente de novos compradores a abrir mão do conforto, ou pensar antes de consumir, em um cenário de renda reforçada e acesso mais fácil ao crédito?

A forma como o mundo consome e vai consumir nos próximos anos é um dos embates às vésperas da Rio+20. No momento, duas correntes se opõem. Brasil e países emergentes defendem a busca por soluções que não reduzam a inclusão social, que não privem a classe ascendente de bens de que, até o momento, as nações desenvolvidas puderam desfrutar. Na União Europeia, domina a corrente que recomenda duramente a restrição ao uso de recursos naturais, de forma a reduzir o consumo.

Independentemente do grau de envolvimento com a discussão, cada indivíduo economicamente ativo pode interferir decisivamente nos rumos do planeta através de sua forma de decidir. As opções vão desde a escolha de aparelhos que gastam menos energia – nesse caso, também uma opção econômica – à preferência por itens de marcas que respeitem o meio ambiente. O conceito é fácil de entender. O difícil é levar o consumidor a decidir não apenas em função do preço. Descubra, com o teste produzido pelo Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, que tipo de consumidor é você:
Que tipo de consumidor é você? Descubra com a pesquisa


O relatório O Consumidor Brasileiro e a Sustentabilidade: Atitudes e Comportamentos frente ao Consumo Consciente, Percepções e Expectativas sobre a RSE (responsabilidade social empresarial), feito desde 2000, acompanha a evolução do padrão de consumo brasileiro. A última edição, de 2010, traz a seguinte conclusão: “Nesse contexto de festa do consumo, em especial incorporando segmentos historicamente excluídos ou com limitado acesso ao mercado, é difícil imaginar que os novos consumidores assumam comportamentos conscientes, assim como que maiores parcelas dos antigos consumidores o façam”.

O próximo relatório será lançado este ano, mas ainda está em fase de planejamento. A equipe do Akatu tem pressa para checar a evolução dos consumidores nos últimos dois anos. “Os cientistas seguem demonstrando que, ao fim das contas, o planeta poderá seguir sua existência tornando-se mais quente, recoberto por geleiras ou com elevado nível de seus mares. Mas o mesmo não se pode dizer com relação à espécie humana. Já pagamos uma conta alta pela lentidão em assumir que temos um problema real a enfrentar. E vamos pagar mais. É hora de correr contra o prejuízo”, alerta a Diretora-executiva do Akatu, Ana Maria Wilhelm.

A série de relatórios incorporou desde 2003 uma análise sobre o avanço do comportamento dos brasileiros para o consumo consciente. Foram criadas quatro categorias de comportamento, em ordem crescente de preocupação com os efeitos de suas compras sobre o meio ambiente: indiferentes, iniciantes, engajados e conscientes.

O comportamento dos consumidores na hora das compras oscilou criticamente na fase de ascensão econômica da classe C. Na comparação com os resultados de 2006 percebeu-se um aumento de 12 pontos percentuais no total de consumidores classificados como “indiferentes”, passando de 25% em 2006 para 37% em 2010. “O resultado teve relação com o aumento de renda da população e a democratização do acesso ao crédito”, observa a diretora do Akatu.

Nos outros dois grupos seguintes, “iniciantes” e “engajados”, verificou-se uma queda, respectivamente de 7 e 5 pontos percentuais, correspondendo assim aos mesmos 12 pontos percentuais de crescimentos dos “indiferentes”. O relatório destaca que seis dos 13 comportamentos utilizados na segmentação dos consumidores estão diretamente relacionados à redução e ao planejamento de gastos, sendo a adesão a eles mais sensível ao contexto econômico, à confiança do consumidor e à sua disposição de maior ou menor contenção de despesas.

Durante parte do período das pesquisas (2003 a 2008), a renda dos 10% mais pobres cresceu 8% ao ano, enquanto o rendimento dos 10% mais ricos cresceu 1,5% ao ano. “Esse ritmo deve ser mantido até 2012. Em 2009, mais de um milhão de brasileiros saíram da linha de pobreza”, indica o relatório.

“Um ponto positivo é que esse consumidor que ascendeu da classe C traz o hábito de planejar antes de gastar, pelos anos vividos sob recessão econômica. E é esse hábito de planejar gastos e contas que temos que estimular, não podemos deixar que essa parcela da população recaia nos erros cometidos pelos outros perfis de consumidores”, observa Ana Maria.

O consumidor consciente é o chamado “cidadão do futuro”. Pode ter começado o exercício de um novo estilo de vida como os eco-chatos de sempre, mas hoje amplia sua visão para pensar na coletividade e manifestar interesse pelo planeta. “Entre a criação de protocolos internacionais e a regulação por parte dos governos gasta-se muito tempo. O desafio está em nossas mãos, nas escolhas que fazemos todos os dias”, defende Ana Maria. O Akatu indica alguns dos comportamentos típicos do que é considerado o consumidor exemplar:
Adota a bicicleta como meio de transporte
Além de uma opção pessoal saudável, indica a prática de alguma forma de ativismo em busca de mais respeito no trânsito, como o Grupo de Ciclistas de São Paulo.

Pratica coleta seletiva do lixo
A separação caseira é um bom começo. Destacam-se nesse grupo os consuidores que se deslocam até pontos estabelecidos por cadeias de supermercado para depositar o lixo, estimulando a legislação para coleta de resíduos sólidos.

Lê todas as embalagens de produtos
Informação é a chave do consumo consciente. O consumidor que tenta entender se o produto tem caráter de sustentabilidade a partir da composição química está ajudando a pressionar a indústria por mais qualidade e responsabilidade.

Desistiu de andar de carro sozinho
Considerando as implicações do transporte individual, o motorista que entende o peso de desclocar-se sozinho no automóvel tem um papel importante nos dias de hoje. O desejável, nesse quesito, é o comportamento que inclui, se necessário, a mudança de rotina, com disposição para trechos a pé, trasnporte público ou carona.

Planeja o orçamento antes de gastar
Quem evita o endividamento fácil está fazendo bem para o seu orçamento e para o mercado. Contribui também para evitar o consumo por impulso.

Compra alimentos da estação
Adotar produtos orgânicos é algo altamente saudável, mas ainda há diferenças significativas de preço. A opção por vegetais da estação é uma prática, por exemplo, dos Eco-chefs no Rio de Janeiro.
 

Brasil ganha sites de agendamento de consultas médicas

Nos Estados Unidos, onde plataforma similar já existe desde 2007, serviço oferece ferramenta de avaliação dos médicos

Renata Honorato
Jairo Bouer, psiquiatra em 2002. Especialista é um dos sócios do site brasileiro Dr. Busca Jairo Bouer, psiquiatra em 2002. Especialista é um dos sócios do site brasileiro Dr. Busca (ROGERIO ALBUQUERQUE)
Há alguns anos, buscar um médico para uma consulta consistia em pesquisar um profissional credenciado em um plano de saúde em um catálogo impresso ou pedir uma indicação para um amigo ou familiar. Em seguida, era necessário ligar para o consultório do especialista, em horário comercial, e rezar para que ele tivesse agenda disponível. Para encurtar esse caminho, dois brasileiros de Recife se inspiraram em um serviço americano e criaram o Dr. Busca, um sistema on-line, que permite ao internauta marcar um consulta médica sem sair do computador. Esse pode ser o primeiro passo para reproduzir no país o modelo de sucesso dos Estados Unidos. No ZocDoc, o usuário não só marca sua consulta, como também avalia o profissional da saúde, a exemplo do que já acontece com guias digitais de resturantes ou hotéis. O site oferece um sistema de classificação dos médicos através de estrelas, cujos itens avaliados são atendimento e tempo de espera.        
Bartolomeu Cavalcanti e Raphael Barros desenvolveram o Dr. Busca por causa de uma necessidade pessoal. "Estava com uma dor de garganta e precisava agendar uma consulta. Ligar para os consultórios não era uma boa ideia por causa da minha condição. Foi então que pensei em criar um site", conta Barros.
Em 2007, quatro anos antes da estreia do Dr. Busca no Brasil, um problema similar inspiraria um americano a desenvolver o ZocDoc, considerado o maior e mais popular nos EUA. Ciro Massoumi, fundador e CEO da empresa, rompeu um tímpano e precisou esperar quatro dias para conseguir um médico. Depois dessa experiência decepcionante em busca de um especialista, ele criou o serviço, que hoje conta com Jeff Bezos, fundador da Amazon, como investidor. Segundo Allison Braley, diretora de relações públicas do ZocDoc, a empresa pretende levar para outras regiões a experiência americana: "Acreditamos que a mercado brasileiro está pronto para esse tipo de serviço. Esperamos levar o que aprendemos nos EUA nos últimos cinco anos para o Brasil muito em breve."
O site brasileiro nasceu mais tarde, em 2011, e já está em seu terceiro aporte de investimento. O projeto foi selecionado por experts do Vale do Silício para participar do Programa Start-Up Chile, uma iniciativa do governo chileno para trazer empresas inovadoras de nível global para a América Latina através de injeção de capital. Esse foi o pontapé inicial para que Cavalcanti e Barros deixassem o Recife e se mudassem para São Paulo, onde atualmente funciona o escritório da companhia.    
O site brasileiro oferece mais de 150.000 horários e a expectativa dos fundadores é fechar o ano de 2012 com um faturamento de 3 milhões de reais. O modelo de negócio da empresa, que disponibiliza o serviço para o usuário gratuitamente, está focado no profissional da saúde. "Os médicos pagam uma mensalidade de 200 reais para integrar a sua agenda ao sistema. Dessa forma, eles oferecem para seus pacientes a comodidade de marcar uma consulta em qualquer horário", diz Cavalcanti. A ideia parece agradar os usuários. "Trinta por cento de todos os agendamentos acontecem fora do horário comercial", diz.
Raphael Barros e Bartolomeu Cavalcanti, fundadores do Dr. Busca
Para ganhar a confiança da comunidade médica, os dois empreendedores convidaram o psiquiatra Jairo Bouer para ser um dos sócios da empresa. O especialista é conhecido em todo o país por causa dos programas de TV dos quais já participou em importantes emissoras brasileiras. "Eu vinha acompanhando esse movimento nos Estados Unidos e achei a ideia interessante", conta  Bouer. "O Dr. Busca é um facilitador, principalmente para as gerações mais novas", explica.
Nos Estados Unidos, o modelo é similar. A diferença é que lá o valor da mensalidade é de 250 dólares. Segundo a assessoria de imprensa da companhia, o número de usuários por mês do serviço é de, aproximadamente, 1,2 milhão. A solução proposta pelo site, aliada à adesão do público, fez com que a companhia levantasse mais de 95 milhões de dólares em investimentos. Através da plataforma é possível buscar médicos e dentistas em 16 cidades americanas.
O Dr. Busca ainda não funciona em todo o território brasileiro, como acontece com o ZocDoc nos EUA, mas os planos da companhia incluem a expansão do serviço para outros estados e também para outros países da América Latina. Segundo os fundadores, a inclusão de outras regiões na plataforma deve acontecer ainda neste ano.
Os adeptos do serviço no Brasil, preveem os empresários, devem seguir o perfil dos usuários americanos do ZocDoc nos Estados Unidos, cuja idade média é de 30 anos. O Dr. Busca reúne 30 especialidades, como odontologia, ginecologia, cardiologia, clínica geral, oftalmologia, homeopatia, pediatria, mastologia, urologia e dermatologia. Entre os serviços prestados pelo site está o sistema de lembretes, que avisa o paciente por e-mail ou celular o horário da consulta.
Outros sites similares já chegaram ao Brasil. É o caso do Yep Doc e do go2Doc, ambas plataformas de agendamento médico on-line. A mecânica de busca é parecida em todos os modelos. O usuário faz um cadastro, escolhe uma especialidade, informa o plano de saúde e pesquisa o banco de dados de cada serviço.

Entrevista: Sofia Esteves

'O jovem guia sua carreira por um propósito e por prazer'

A presidente da agência de recrutamento Cia. de Talentos fala de dúvidas que atormentam novos profissionais no mercado de trabalho. E como fugir delas

Nathalia Goulart
Sofia Esteves, psicóloga e sócia-diretora da Cia. de Talentos, profissional especializada em orientação de carreira e recrutamento de trainees Sofia Esteves, psicóloga e sócia-diretora da Cia. de Talentos, profissional especializada em orientação de carreira e recrutamento de trainees (Daniela Toviansky)
Há quase três décadas, a consultora de recursos humanos Sofia Esteves trabalha com jovens em início de carreira. Sua missão é ajudá-los a identificar os melhores caminhos para ingressar no mercado de trabalho. Sua experiência a levou à especialização na chamada geração Y, jovens nascidos entre as décadas de 1980 e 1990, inquietos e capazes de desenvolver várias tarefas simultaneamente, fruto da era digital em que cresceram e do consequente acesso quase irrestrito à informação. "Estamos falando aqui de um jovem que é guiado por propósito e prazer", diz Sofia. Profissionalmente, porém, eles são indecisos, têm dificuldade em encontrar um curso e em fazer parte de empresas que ainda não se adaptaram à nova realidade. "Existem hoje mais de 22.000 cursos à disposição e o jovem sente dificuldade em escolher aquele com o qual se identifica de verdade. O que acontece na prática é que essa é uma geração que aprende pela tentativa e erro." O remédio, diz Sofia, é o autoconhecimento. "Tudo o que o jovem puder fazer para se conhecer melhor é válido, encurta caminhos." Sofia colocará todo o seu know-how agora à disposição de jovens talentos. Ela é parceira do Prêmio Jovens Inspiradores, iniciativa de VEJA.com e da Fundação Estudar que vai selecionar estudantes ou recém-formados com espírito de liderança e compromisso permanente com a busca da excelência: os vencedores ganharão iPads, bolsas de estudo no exterior e um ano de orientação profissional com nomes de destaque do meio empresarial e político (mentoring). As inscrições no Prêmio se encerram neste domingo. Confira a entrevista que Sofia concedeu ao site de VEJA.
Prêmio Jovens Inspiradores: increva-se já
Quais as características da geração Y? Estamos falando aqui de um jovem que é guiado por propósito e prazer. Ele precisa se identificar com algo para poder se dedicar verdadeiramente a ele. Profissionalmente, isso gera um impasse, porque ele está exposto a um volume muito grande de oportunidades. Existem hoje mais de 22.000 cursos à disposição e o jovem sente dificuldade em escolher aquele com o qual se identifica de verdade. O que acontece na prática é que essa é uma geração que aprende pela tentativa e erro: o jovem ingressa em um curso, não gosta e desiste. E assim ele segue até encontrar um que lhe dê prazer. Por outro lado, a geração Y é mais colaborativa e já sabe quais são seus valores e ética. E já está cientificamente comprovado que são mais inteligentes do que as gerações anteriores.
Esses jovens são mais imaturos? Sim. Os pais da geração Y vieram de um ambiente mais repressor e costumaram oferecer tudo aos filhos. Como consequência, os jovens crescem com menos responsabilidade e costumam ter tudo nas mãos. O processo de amadurecimento é postergado.
Como um jovem assim faz para descobrir o que realmente o interessa? Tudo passa pelo autoconhecimento. Tudo o que o jovem puder fazer para se conhecer melhor é válido, encurta caminhos. Sempre recomendo aos jovens que consultem pais, professores e amigos e os questionem quais os talentos são mais salientes em sua personalidade. Identificar a percepção que pessoas próximas têm de nós nos ajuda a perceber quais são nossos traços mais fortes. Aliado a isso, existe um exame de consciência intenso que precisa ser feito. Questionar-se sobre os valores e desejos ajudam a construir um futuro profissional sólido.
Quais são os principais equívocos dos jovens que estão ingressando agora no mercado de trabalho? Eles não têm foco. Eles fecham os olhos e atiram para todos os lados. Com frequência vejo garotos se inscrevendo em 30 processos seletivos de uma única vez. Como os processos costumam ser longos, eles acabam desgastados ou desistem diante dos primeiros obstáculos. Para evitar essa situação, sugiro que antes de se inscrever o jovem faça uma pesquisa criteriosa das empresas. Ele precisa encontrar aquelas que mais têm a ver com ele, com seus valores e objetivos. Sem esse conhecimento, aumentam as chances de frustrações e diminuem as chances de sucesso.
De maneira geral, que perfil profissional as empresas buscam hoje? Elas buscam pessoas com iniciativa, que tenham determinação, capacidade de análise e argumentação. Os candidatos precisam ter sustentação pessoal, saber trabalhar em time e comunicar com clareza. Recentemente realizamos um levantamento sobre os requisitos que mais eliminam candidatos nos processos seletivos. São eles: capacidade de análise e sustentação. Percebemos que os jovens leem cada vez menos e por isso tem dificuldade de fazer uma análise mais profunda dos temas mais variados. Sem essa capacidade, eles não conseguem sustentar seus pontos de vista.
Que tipo de atividade ajuda nesse processo? Recomendo sempre participar de agremiações, organizações estudantis e empresas júnior. Tudo o que puder ser feito nesse sentido é enriquecedor porque ajuda a desenvolver capacidades valorizadas pelo mercado de trabalho. Esportes coletivos também auxiliam bastante. Por fim, indico sempre o envolvimento com trabalho voluntário. Conhecer e se sensibilizar com diferentes realidades é extremamente importante.
O que mudou nos processos seletivos nos últimos anos? Antes, ter cursado uma boa universidade era certificação de sucesso profissional. Um diploma conceituado era como um atestado de inteligência – e isso bastava. As empresas concluíam que, se o candidato tinha tido capacidade de passar em um vestibular difícil, ele era um bom profissional. Mais tarde, elas perceberam que não as coisas funcionavam exatamente dessa forma. Uma pessoa pode ser inteligente, mas se não sabe se comunicar, trabalhar em grupo ou liderar sua inteligência não é muito efetiva no trabalho. Hoje, o que importa são as características comportamentais e os valores pessoais de cada um. Até o inglês, que costumava ser prérrequisito indispensável, hoje já não é mais: inglês se aprende, mas certas habilidades, como liderança, não.
As empresas já se adaptaram aos jovens da geração Y? Algumas lidam melhor com eles do que outras. O que as companhias começam a entender agora é que, para atrair os jovens, elas precisam treinar seus gestores para que eles saibam lidar com essa geração. Caso contrário, haverá um choque. Quando as duas partes se dispõem a dialogar e a aprender uma com a outra, as coisas fluem melhor.
Quem são os líderes dessa geração? São gente de carne e osso. Pessoas próximas, que servem de exemplo no dia a dia e não mais aquelas figuras históricas das quais sempre ouvimos falar que mereciam respeito. Muitas vezes, são pessoas que não fizeram nada de extraordinário, mas que exercem bem o papel de gestor. A admiração hoje está mais ligada às figuras que cumprem aquilo que falam, que lideram pelo exemplo. É uma figura palpável, não o mito como costumava ser antigamente.
O Prêmio Jovens Inspiradores pretende revelar novas lideranças para o Brasil. A senhora sente que os profissionais dessa nova geração estão mais preocupados com o país em que vivem? Sem dúvida. Em uma pesquisa recente pedimos para os jovens apontarem em que empresa gostariam de começar a carreira. Quase metade deles citou companhias nacionais. Isso reflete a realidade do Brasil hoje. Há 30 anos, quando comecei a trabalhar com programas de trainee, o maior sonho dos jovem brasileiro era ter uma carreira no exterior. Eles queriam passagem de ida sem data para voltar. Hoje, eles querem experiência internacional, mas já não estão mais dispostos a abrir mão de viver em seu país. Eles vão para fora, estudam, trabalham e voltam para construir uma carreira aqui.
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Saúde do coração

Medidas de restrição ao sal poderiam reduzir em até 3% as mortes por doenças cardiovasculares

Intervenções como aumento dos impostos e redução do teor de sal sobre alimentos também poderiam diminuir custos com tratamentos de saúde

Sal: medidas restritivas podem reduzir mortes por doenças cardiovasculares Sal: medidas restritivas podem reduzir mortes por doenças cardiovasculares (Thinkstock)
Um relatório elaborado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, indicou que a redução do teor de sal e a implementação de taxas sobre os produtos que contenham o composto poderiam reduzir em até 3% as mortes por doenças cardiovasculares. Os dados preliminares deste trabalho, que será publicado integralmente ainda este ano, foram apresentados neste sábado no Congresso Mundial de Cardiologia, em Dubai.
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O estudo analisou o impacto desses dois tipos de intervenção — ou seja, da redução voluntária por parte das indústrias no teor de sal dos alimentos e da criação de taxas sobre esses produtos — em 19 países em desenvolvimento, que representam metade da população mundial. A pesquisa ressalta que o consumo de sal pode elevar a pressão arterial, um importante fator de risco para doenças cardiovasculares evitáveis e prematuras em todo o mundo.
Os autores do trabalho concluíram que ambas as estratégias implicariam a redução do dinheiro gasto com o tratamento de pessoas com hipertensão e problemas cardiovasculares, como ataque cardíaco e acidente vascular cerebral (AVC). Além disso, essas intervenções, de acordo com o relatório, poderiam causar uma diminuição da taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares de 2% a 3% nesses países. A incidência de ataques cardíacos poderia ser reduzida em até 1,7% e 1,47% na China e na Índia, respectivamente, e os casos de AVC em 4,7% e 4% nesses dois países, respectivamente.
"Esses resultados mostram que estratégias para redução de consumo de sódio, mesmo de pequenas quantidades, podem levar a uma diminuição significativa de mortalidade por evento cardiovascular em países em desenvolvimento, além de reduzir os custos de saúde pública associados a essas doenças", diz Thomas Gaziano, um dos autores do estudo. Segundo o pesquisador, o peso dos problemas cardiovasculares é maior em nações em desenvolvimento e, por isso, medidas simples como as estudadas podem ter um impacto significativo a longo prazo.
Pressão arterial — Nesse mesmo trabalho, os pesquisadores também buscaram identificar o impacto de medir mais vezes a pressão arterial sobre a saúde da população. Os dados mostraram que um aumento de 25% nas triagens de pressão do sangue nesses mesmos 19 países poderiam desencadear uma redução de até 3% na incidência de doenças cardiovasculares. Além disso, esse maior rastreamento poderia aumentar em até 10% a taxa de tratamento adequado para hipertensão. Segundo os autores do relatório, um programa que aumentasse o acompanhamento da pressão arterial dos indivíduos teria custos adequados ao Produto Interno Bruto (PIB) desses países em desenvolvimento.
De acordo com o estudo, 900 milhões de pessoas em países em desenvolvimento têm pressão alta, mas somente um terço delas têm consciência sobre o problema e apenas 100 milhões recebem tratamento adequado.

Ensino superior

Drama do fechamento de universidades pode atingir 200.000 estudantes

Cerca de 80 instituições de ensino superior podem ser descredenciadas pelo MEC, a exemplo do que ocorreu com a Universidade São Marcos

Nathalia Goulart
Estudantes da Universidade São Marcos protestam na Avenida Paulista, em São Paulo, contra decisão do MEC que descredencia a instituição (24/03/2012) Estudantes da Universidade São Marcos protestam na Avenida Paulista, em São Paulo, contra decisão do MEC que descredencia a instituição (24/03/2012) (Isadora Brant/Folhapress)
Estudante do sétimo semestre do curso de direito da Universidade São Marcos, de São Paulo, Daniele Rebelo, de 29 anos, quase perdeu o chão ao saber, no último dia 26, que a instituição seria fechada por determinação do Ministério da Educação. A decisão parecia enterrar muitos sonhos e também 20.000 reais em mensalidades pagas. Para ressuscitá-los, Daniele precisou buscar a transferência para outra universidade. A Uniban foi a escolhida, mas a opção não encerrou seu drama. Para adequar-se à grade curricular da nova universidade, ela precisará cumprir uma carga horária puxada: além de disciplinas regulares, Daniele terá de assistir a aulas de outras dez matérias que não faziam parte da graduação da São Marcos. "Com tantas aulas, não sei como vou fazer para manter meu estágio na Defensoria Pública", diz. Uma alternativa seria postergar a formatura, marcada para o fim de 2013, o que daria mais tempo para o cumprimeiro do currículo. É uma alternativa ruim, avalia Daniele, pois atrasaria sua entrada no mercado de trabalho. Os problemas não param por aí. A mudança repentina exigiu o afrouxamento de laços fraternais construídos com colegas de classe durante os três primeiros anos de universidade. Daniele resume: "Ver minha universidade fechar faltando pouco mais de um ano para a formatura foi um susto terrível." Com pequenas variações, o drama de Daniele é o mesmo vivido por todos os estudantes da São Marcos.
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As razões do fechamento da São Marcos misturam desempenho acadêmico ruim e má administração. O ocaso atinge pouco mais de 2.000 estudantes, que, como Daniele, devem ser transferidos para outras instituições até 26 de maio (uma determinação do MEC). Porém, a vida de muitos outros estudantes pode ser afetada por razões semelhantes. Ao menos 79 instituições de ensino superior de todo o país estão sob intervenção do MEC. Elas abrigam hoje 210.199 estudantes, de acordo com dados do último censo universitário. A exemplo da São Marcos, essas instituições obtiveram, nos três últimos anos, desempenho insatisfatório em avaliações do MEC (especialmente no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, o Enade) e por isso estão proibidas de ampliar o número de vagas ou de abrir novos cursos. Se na avaliação de 2012 não mostrarem resultados melhores, podem ser alvo de processo de descredenciamento. Sem reconhecimento oficial, os cursos dessas instituições não têm valor algum. Daí à falência, é um passo.

"Cobro diariamente da São Marcos os documentos de que preciso para a transferência para outra instituição, mas é tudo muito confuso. Fiquei na mão."

Isadora Dobalani, 20 anos, ex-estudante de direito da São Marcos

Pouco mais da metade (54%) das 79 instituições sob intervenção é considerada de pequeno porte: possui menos de 1.000 alunos. Representa um grupo significativo de instituições de nível superior do Brasil (atualmente, 49% das universidades, faculdades e centros universitários do país têm menos de 1.000 alunos), mas também um time que enfrenta os mais graves problemas de administração. "O mercado do ensino superior assiste a um processo de consolidação de grandes grupos, que perseguem a eficiência ne gestão. Isso faz com que instituições menores percam competitividade", diz Ryon Braga, da Hoper Educacional, consultoria especializada na área. As pequenas, em geral, estão presas a uma administração não profissionalizada, o que acarreta problemas financeiros e administrativos. Tudo isso desemboca em um ensino de má qualidade – é quando elas entram no radar no MEC, enfrentam sanções acadêmicas e correm risco de vida. "As instituições menores precisam encontrar nichos de atuação. Caso contrário, serão compradas ou terão o mesmo fim da São Marcos."
Espera-se que o MEC zele pela qualidade do ensino no país. No episódio da São Marcos, o ministério promete acompanhar a transferência de alunos de perto. "Caso a universidade não cumpra as determinações nos prazos estipulados ou não apresente pedido de dilação de prazo, fundamentada e justificada, o MEC tomará as providências cabíveis para garantir o cumprimento das medidas, inclusive responsabilizando seus representantes legais”, diz a assessoria de imprensa da pasta. Mas nem todos os especialistas concordam com a dosagem do remédio ou mesmo com o tratamento adotado pelo ministério para curar da doença da má gestão. O consultor da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) Celso Frauches, por exemplo, diz que falta eficiência na fiscalização das universidades. "O Brasil conta com 30.000 cursos superiores e mais de 2.400 universidades. Os dispositivos de fiscalização do ministério não dão conta desse contingente", diz Frauches. "A principal ferramenta hoje é o Enade, uma prova nacional que ainda contém muitas falhas. As visitas in loco, que deveriam ser o centro das avaliações, ainda são pouco frequentes."
"Escolhi a São Marcos porque ela era a única a possuir um curso de psicologia com base na teoria psicanalítica. Foi um investimento financeiro e emocional. Agora, me sinto abandonado."

Rafael Munhoz, 26 anos, ex-estudante do 3º semestre da São Marcos

Para ele, o sistema brasileiro de avaliação deveria se inspirar no americano. Lá, é a comunidade acadêmica que fiscaliza as universidades, realizando vistorias detalhadas em instalações, avaliando o corpo docente, o currículo e o desempenho dos estudantes. "Não se trata de uma prova para a confecção de um ranking. O objetivo é apontar as áreas que merecem mais atenção por parte de cada universidade", diz Frauches. Unidades com deficiências recebem conceitos baixos, o que, evidentemente, afasta estudantes em potencial. "Se não melhorar, a instituição perderá público." E dinheiro.
Gustavo Ioschpe, economista e colunista de VEJA, vai ainda mais fundo. Ele discorda da prática de fechar universidades ruins como método de aperfeiçoamento do sistema como um todo. Afinal, o fechamento de instituições conduz à redução do número de vagas, restringindo o acesso de estudantes (especialmente os das classes mais baixas) ao ensino superior. "O aluno que frequenta uma universidade mal avaliada não está sendo enganado, tampouco é burro. Ele o faz porque aquela é a melhor instituição em que ele conseguiu entrar, ou é a única que seu bolso pode pagar", diz Ioschpe (leia artigo sobre o tema). "Se essa vaga for cortada, ele não vai estudar na USP nem na FGV. Vai ficar sem estudar."
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Marketing Pessoal: 10 razões para começar agora

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Razões para Iniciar Agora seu Marketing Pessoal

A necessidade da gestão de carreira e da implantação de um plano de marketing pessoal está se tornando uma unanimidade. A maioria dos profissionais que temos conversado, sejam professores universitários, executivos ou empresários, concorda com a importância de se ter um plano de marketing pessoal para gerir suas carreiras. No entanto, apesar disto, poucos são aqueles que realmente conseguem transformar esta convicção em uma atitude prática.
Em função da falta de ação de muitos profissionais, resolvemos apresentar uma série de dez razões, todas importantíssimas, para motivar aqueles que ainda não resolveram desenvolver seu plano de marketing pessoal a fazê-lo agora. Já foi dada a largada para a corrida pelas melhores oportunidades de mercado, e quem não se antecipar acabará ficando para trás. Vamos às razões:
  • Razão 1 - um plano de marketing é como uma "receita de bolo" que pode ser elaborado em poucos dias, e seu conteúdo, na maioria das vezes, é formado por ideias práticas e de fácil aplicação, portanto, comece agora!
  • Razão 2 - o tempo corre contra você, quanto mais rápido implantar seu plano de marketing, mais rápido serão os resultados para sua carreira. O que está esperando?
  • Razão 3 - provavelmente você já tem inúmeros concorrentes promovendo suas respectivas carreiras no mercado, e você está ficando para trás. Não espere mais!
  • Razão 4 - marketing pessoal é um hábito, e você precisará de tempo para se habituar com esta nova maneira de agir em sua vida, portanto, corra!
  • Razão 5 - marketing pessoal cria novas oportunidades de negócios, e novas oportunidades de negócios, geralmente, significam mais dinheiro. Então aja agora!
  • Razão 6 - um plano de marketing pessoal pressupõe que você conquistará outros ciclos de amizade, isto certamente dará uma nova perspectiva de prazer e satisfação a sua vida pessoal e profissional. Mexa-se!
  • Razão 7 - o plano de marketing pessoal traz reconhecimento social pelos anos de esforços, estudos e trabalho. O que está esperando, ande!
  • Razão 8 - maior status social é o que obterá com o sucesso profissional conseguido através de seu plano de marketing pessoal. Vá em frente!
  • Razão 9 - a realização de seus sonhos de consumo, de seus sonhos de viagem e de muitos outros sonhos, poderá ser conquistada através do sucesso obtido com o marketing pessoal. Apresse-se!
  • Razão 10 - a realização profissional traz uma sensação superior de satisfação. É como conquistar o cume do Everest, algo inexplicável. Porque você não tenta iniciar agora o seu desafio pessoal? Mas é preciso dar o primeiro passo. Aja agora!
Esperamos que todas estas boas razões tenham conseguido convencê-lo a tomar uma atitude para iniciar seu plano de gestão de carreira, por isto vamos mostrar o que significa este plano de marketing pessoal.
Um plano de marketing pessoal é algo fácil de ser implantado. Na verdade, trata-se de um conjunto de ações e ferramentas que, se utilizados em conjunto, ajudam a promover a carreira de um profissional.
Na primeira parte de um plano de marketing pessoal é preciso desenvolver as competências pessoais do profissional, aqueles atributos que fazem parte de seu comportamento, e que podem ter um impacto positivo em sua atuação profissional. Qualidades como auto-motivação, liderança, criatividade, bom humor, capacidade de produzir conhecimentos, relacionamento interpessoal e sua capacidade de sonhar são os atributos essenciais que precisam ser desenvolvidos e incorporados a sua carreira profissional.
A outra parte do plano de marketing consiste na aplicação de ferramentas para promoção pessoal. Construção de uma rede de relacionamentos (networking), criação de um site pessoal, utilização de cartões de visitas de uma maneira dinâmica, ter um sistema de relações públicas pessoal, dentre outras ferramentas, certamente ajudarão a promover sua carreira e sua imagem no mercado de trabalho.
Estes conceitos e ações precisam estar "amarrados" em um planejamento coerente, ou seja, ao seu "plano de marketing pessoal e profissional".
Todos nós precisamos de motivação para realizar alguma tarefa, para enfrentar um desafio e para iniciar alguma empreitada. Implantar um plano de marketing em nossa vida pessoal e profissional é um desafio. Não sabemos ao certo o que iremos encontrar, certamente viveremos momentos de "pura adrenalina", seremos colocados diante de situações inusitadas, mas tudo isto se justifica pela sensação de vitória e de sucesso que conseguiremos alcançar ao final desta caminhada. Boa sorte.

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