sábado, 23 de julho de 2011

Artigo LYA LUFT - Revista VEJA.


Com o ensino cada vez pior - e ainda por cima sendo mais difícil conseguir uma reprovação -, temos gente saindo das universidades quase sem saber coordenar pensamentos e expressá-las por escrito, ou melhor: sem saber o que pensar das coisas, desinformados e desinteressados de quase tudo. Fico imaginando como será em algumas décadas. A ignorância alastrando-se pelas casas, escolas, universidades, escritórios, congressos, senados... Multidões consumistas ululando nas portas e corredores de gigantescos shoppings, países inteiros saindo da obscuridade - não pela democracia, mas para participar da orgia de aquisições, e entrar na modernidade.
Em algumas coisas sou pessimista: essa é uma delas. Mas acredito que os que ainda quiserem pensar, estudar, descobrir, inventar, pintar, dançar, cantar ou escrever vão viver numa espécie de ilha. Talvez em universidades tradicionais ou ultra-adiantadas, ou no aconchego de bibliotecas em casa, praticamente todas de e-books ou recursos com que nem sonhamos, exigindo pouco espaço.
Já existem em países adiantados intelectuais, pensadores, pesquisadores, cientistas pagos simplesmente para pensar. Criar, inventar, descobrir. Um deles, meu conhecido, cujo hobby é tocar piano, conseguiu, sem ter de pedir, uma sala enorme à prova de som, para tocar altas horas ou de dia, sem incomodar vizinhos.
As atuais agitações em países do Oriente me fizeram pensar que a filosofia (os gregos) foi substituída pela religião, a religião pelas ideologias, e as ideologias, atualmente, pelo consumismo. Não sou contra consumir, gosto do meu celular eficiente e relativamente moderno, embora saiba que em poucas semanas, ou dias, ele estará ultrapassado. Isso não me incomoda. Não me deixa ansiosa por trocar este por outro, que em pouco tempo também deverá ser substituído, numa compulsão idiota. Não gosto é dessa compulsão idiota. Meu computador e meu notebook são atualizados e eficientes, mas não me importa que em algumas semanas estejam superados, desde que funcionem bem.
Gosto de poder trocar de carro quando o outro bate biela (não sei o que é biela mas ouvi falar). Porém, nem posso nem desejo estar sempre com o último modelo, ou o mais luxuoso. Diante da miséria de meu país, acho que isso me envergonharia, como caríssimas joias e bolsas ou roupas de grife. Vivo uma busca de simplicidade, que ajuda bastante a viver curtindo mais e melhor as coisas boas que existem no meio do horror. Podem ser simplíssimas, como um livro interessante, um Mozart profundo, as crianças que correm no jardim de uma casinha que temos na montanha. Um casal de guaxinins fez seu ninho embaixo da varanda, nosso novo encantamento. Se a gente não consegue coisas desse tipo, a vida fica pesada demais.
Corrida demais. Relógios demais, compromissos demais, bebida, comida, contas demais, e de repente a velha prostituta que chamamos Morte revira seus olhos sinistros de gato, limpa os bigodes e prepara o bote.
E nós, onde estamos? Em casa, na cama, na loja, no bar, na praia, na multidão enlouquecida, na solidão do hospital - ou rodeados de alguns afetos essenciais? Ou sozinhos, mas apaziguados? Ou em alguma ilha, que pode ser de artistas ou pensadores dignamente valorizados, ou no minúsculo escritório, ou quarto, em casa, sentindo o contentamento de alguns momentos bons, ou simplesmente refletindo, contemplando?
Vamos ter "aproveitado" a vida, coisa que se aconselha aos jovens desde o tempo de minhas avós - aos rapazes naturalmente, naqueles tempos de moças recatadíssimas -, vamos continuar infantilizados, ou vamos melhorar um pouco como seres humanos? Ou isso tudo não nos interessa nadinha (o que é mais provável)?
O que vai ser, o que vamos sentir, alegria ou tormento, ansiedade inútil ou trabalho de crescimento pessoal, e como vamos enfrentar as unhas afiadas daquela velha dama de gélidos olhos? Quase sempre depende de nós, que giramos feito baratas tontas em busca da última novidade, do mais moderno acessório, da mais louca diversão. E essa é a maior ironia.

A Volta da Família Careta.


A volta da família careta
"Perdoem-me os pais que se queixam de que os filhos são um fardo, de que faltam tempo, dinheiro, paciência. Receio que o fardo, o obstáculo e o estorvo a um crescimento saudável dos filhos sejam eles"
Foi tão grande e variado o número de e-mails, telefonemas e abordagens pessoais que recebi depois de escrever que família deveria ser careta, que resolvi voltar ao assunto, para alegria dos que gostaram e náusea dos que não concordaram ou não entenderam (ai da unanimidade, mãe dos medíocres). Atenção: na minha coluna não usei "careta" como quadrado, estreito, alienado, fiscalizador e moralista, mas humano, aberto, atento, cuidadoso. Obviamente empreguei esse termo de propósito, para enfatizar o que desejava.
Atômica Studio

Houve quem dissesse que minha posição naquele artigo é politicamente conservadora demais. Pensei em responder que minha opinião sobre família nada tem a ver com postura política, eu que me considero um animal apolítico no sentido de partido ou de conceitos superados, como "a esquerda é inteligente e boa, a direita é grossa e arrogante". Mas, na verdade, tudo o que fazemos, até a forma como nos vestimos e moramos, é altamente político, no sentido amplo de interesse no justo e no bom, e coerência com isso.
E assim, sem me pensar de direita ou de esquerda, por ser interessada na minha comunidade, no meu país, no outro em geral, em tudo o que faço e escrevo (também na ficção), mostro que sou pelos desvalidos. Não apenas no sentido econômico, mas emocional e psíquico: os sem auto-estima, sem amor, sem sentido de vida, sem esperança e sem projetos.
O que tem isso a ver com minha idéia de família? Tem a ver, porque é nela que tudo começa, embora não seja restrito a ela. Pois muito se confunde família frouxa (o que significa sem atenção), descuidada (o que significa sem amor), desorganizada (o que significa aflição estéril) com o politicamente correto. Diga-se de passagem que acho o politicamente correto burro e fascista.
Voltando à família: acredito profundamente que ter filho é ser responsável, que educar filho é observar, apoiar, dar colo de mãe e ombro de pai, quando preciso. E é também deixar aquele ser humano crescer e desabrochar. Não solto, não desorientado e desamparado, mas amado com verdade e sensatez. Respeitado e cuidado, num equilíbrio amoroso dessas duas coisas. Vão me perguntar o que é esse equilíbrio, e terei de responder que cada um sabe o que é, ou sabe qual é seu equilíbrio possível. Quem não souber que não tenha filhos.
Também me perguntaram se nunca se justifica revirar gavetas e mexer em bolsos de adolescentes. Eventualmente, quando há suspeita séria de perigos como drogas, a relação familiar pode virar um campo de graves conflitos, e muita coisa antes impensável passa a se justificar. Deixar inteiramente à vontade um filho com problema de drogas é trágica omissão.
Assim como não considero bons pais ou mães os cobradores ou policialescos, também não acho que os do tipo "amiguinho" sejam muito bons pais. Repito: pais que não sabem onde estão seus filhos de 12 ou 14 anos, que nunca se interessaram pelo que acontece nas festinhas (mesmo infantis), que não conhecem nomes de amigos ou da família com quem seus filhos passam fins de semana (não me refiro a nomes importantes, mas a seres humanos confiáveis), que nada sabem de sua vida escolar, estão sendo tragicamente irresponsáveis. Pais que não arranjam tempo para estar com os filhos, para saber deles, para conversar com eles... não tenham filhos. Pois, na hora da angústia, não são os amiguinhos que vão orientá-los e ampará-los, mas o pai e a mãe – se tiverem cacife. O que inclui risco, perplexidade, medo, consciência de não sermos infalíveis nem onipotentes. Perdoem-me os pais que se queixam (são tantos!) de que os filhos são um fardo, de que falta tempo, falta dinheiro, falta paciência e falta entendimento do que se passa – receio que o fardo, o obstáculo e o estorvo a um crescimento saudável dos filhos sejam eles.
Mães que se orgulham de vestir a roupeta da filha adolescente, de freqüentar os mesmos lugares e até de conquistar os colegas delas são patéticas. Pais que se consideram parceiros apenas porque bancam os garotões, idem. Nada melhor do que uma casa onde se escutam risadas e se curte estar junto, onde reina a liberdade possível. Nada pior do que a falta de uma autoridade amorosa e firme.
O tema é controverso, mas o bom senso, meio fora de moda, é mais importante do que livros e revistas com receitas de como criar filho (como agarrar seu homem, como enlouquecer sua amante...). É no velhíssimo instinto, na observação atenta e na escuta interessada que resta a esperança. Se não podemos evitar desgraças – porque não somos deuses –, é possível preparar melhor esses que amamos para enfrentar seus naturais conflitos, fazendo melhores escolhas vida afora. 

Fonte de Consulta: Lya Luft - Revista Veja.

DICAS PARA SE COMPORTAR NAS REDES SOCIAIS.

7 recomendações para construir uma imagem positiva na internet e atrair os recrutadores.
Por Rômulo Martins
Fonte:Empregos.com.br
Como se comportar nas redes sociaisJá se imaginava,
  mas agora é certo. Os recrutadores olham sim o perfil online dos profissionais
que buscam emprego. E é bom tomar cuidado. Pesquisa realizada pela Robert Half,
empresa de recrutamento especializado, revelou que segundo 44% dos recrutadores
brasileiros aspectos negativos nas redes sociais seriam suficientes para
  desclassificar um candidato no processo de seleção.
“O entrevistador não se pauta por algo isolado, mas une diversas informações a
respeito do candidato. A rede é um espaço público”, lembra Marisa Silva,
consultora da Career Center. Ao
Empregos.com.br
a consultora elencou sete pontos fundamentais para
você construir uma imagem positiva no ambiente digital e chamar a atenção dos
recrutadores. Confira!

1. Em redes profissionais, fale de assuntos profissionais
Se você possui conta em uma rede social voltada a profissionais, como o
Linkedin, o relacionamento entre os contatos deve ser pautado pela formalidade.
“Não fale de sua vida pessoal”, dispara Marisa. Nesse caso, até a imagem de
perfil deve ser adequada ao formato da rede.
2. Coloque fotos ‘saudáveis’
As imagens publicadas nos perfis podem revelar hábitos saudáveis ou reprováveis.
Segundo Marisa, é interessante publicar fotos de viagens, festas ou de momentos
com a família. Mas evite imagens de cunho jocoso, como fotografias de poses
sensuais. Pega mal.
3. Ao abordar o ‘amigo’ tenha bom senso
Apresente-se antes de enviar convites para se conectar com outras pessoas. É de
  bom tom explicar de onde conhece o contato ou quem o indicou. Jamais peça
emprego. Aproveite o espaço para trocar informações sobre sua carreira e o
mercado de trabalho.
4. Dê opiniões construtivas
Interaja e posicione-se sobre os temas discutidos entre os seus contatos,
propondo sugestões para a problemática. Mas evite participar de grupos
polêmicos, que aludam à discriminação ou violência. “É preciso tomar cuidado com
opiniões muito radicais”, sinaliza a consultora Marisa Silva.
5. Preserve-se
Não precisa falar sobre todos os seus passos nas redes sociais. Ficar a todo o
momento no Twitter, Orkut ou Facebook descrevendo a sua rotina é desinteressante
e pouco criativo. Se isso for inevitável para você, selecione o nível de
privacidade desejado em seu perfil.
6. Crie a sua identidade online
Fale de coisas que interessem a você e possam interessar aos outros. Isso
aumenta as chances de interação entre os contatos e proporciona a troca de
informações. “Se você gosta de vinho divulgue notícias sobre vinhos. Essa
postura poderá influenciar as pessoas positivamente”, sublinha Marisa.
7. Não fale mal de pessoas ou empresas
Falar mal do ex-chefe, colega de trabalho ou das empresas nas quais atuou é
pecado mortal. Muito provavelmente mina a sua continuidade em um processo
seletivo – caso o recrutador flagre essa conduta. Além disso, é uma atitude
antiética. O melhor a fazer é ceder à tentação.

Histórias Íntimas de um Homem Feio.

A capa do livro é sugestiva – um buraco de fechadura que lembra a genitália externa feminina. Intencional ou não, ilustra o livro da historiadora Mary del Priore – Histórias Íntimas, Sexualidade e Erotismo na História do Brasil, que se torna, pelas mãos da autora, documento vivo para que se compreenda o real e o imaginário da sexualidade humana. Desde Isabel de Castela, que morreu sem mostrar parte alguma do seu corpo, mesmo aos médicos que tentaram atendê-la, até os nossos dias, a autora, em extenso estudo, ventila o arquivo histórico de nossa sexualidade.
Afinal, por que falar deste livro tão interessante, já que claramente não tenho a menor qualidade para crítico literário? Durante a sua leitura, casualmente, vi em programação rotineira da TV, um importante homem da República a falar, academicamente, sobre relevante fato do nosso cotidiano. “Que homem feio!”, pensei casualmente. Embora muitíssimo bem-vestido, a importante figura parecia extremamente frágil em suas eruditas considerações. Escondia, ao que me pareceu, em cada citação doutrinária, o lado contrário de sua exuberante indumentária. Era, afinal, apenas um homem feio. Dito desta maneira, parece coisa politicamente incorreta.
O homem feio, certamente, não é aquele cuja fisionomia, postura, linguagem corporal, facilidade de expressão não são rigorosamente atraentes. Lembro-me, a propósito, de famoso ator do cinema francês, de algumas décadas passadas, Jean Paul Belmondo, que arrancava suspiros femininos nos quatro cantos do mundo, embora não fosse exatamente um homem bonito. Penso que, ao contrário da mulher, onde a beleza é essencial, como queria Vinícius de Moraes, esta qualidade no homem passa ao largo da aparência física.
Ao homem bonito basta apenas uma qualidade, rara, mas apenas uma – ser amado. Essa manifestação do afeto traz, implicitamente, a qualidade do belo, da beleza. De modo que, ao achar o homem feio, embora poderoso, tenho cá comigo que jamais terá experimentado uma genuína, verdadeira e fundamental carícia feminina, o desejo sexual pelo seu corpo ou, ainda, sequer o mais singelo olhar de uma mulher apaixonada. A ele resta, então, aferrar-se ao poder, que funciona tão somente como um sucedâneo do amor.
Edgard Porto é psiquiatra


sexta-feira, 22 de julho de 2011

AMYR KLINK.

Navegador paulista (25/9/1955-). Primeiro a atravessar o Atlântico Sul a remo e a circunavegar a região polar antártica. Filho de imigrante libanês e de artista plástica sueca, Amyr Khan Klink nasce na capital paulista, segundo dos quatro filhos do casal.
Amyr Klink Desde criança freqüenta Parati, litoral do Rio de Janeiro, e lê relatos de grandes expedições marítimas. Aos 10 anos, começa a colecionar canoas antigas, o que serviu para que ajudasse a fundar o Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul, Santa Catarina, em 1991. Forma-se em economia pela Universidade de São Paulo (USP) em 1979 e especializa-se em administração de empresas pelo Mackenzie. É remador do Clube Espéria de 1974 a 1980.
Em 1978 realiza sozinho a travessia Santos-Parati em canoa. Em 1980 faz em catamarã as travessias Parati-Santos e Salvador-Santos. Em 1982 veleja de Salvador a Fernando de Noronha, e de lá à Guiana Francesa. Em 1984 faz a primeira travessia solitária e a remo do Atlântico Sul, narrada por ele no livro Cem Dias entre o Céu e o Mar. Em 1989 inicia o Projeto de Invernagem Antártica,
 no qual percorre sozinho 27 mil milhas da Antártica ao Ártico em 642 dias, tema de seus outros livros Paratii - Entre Dois Pólos e As Janelas do Paratii.
Em 1998 começa o projeto Antártica 360o, circunavegando o continente gelado em 88 dias. É proprietário da empresa Amyr Klink Planejamento e Pesquisa (AKPP), que desenvolve planos diretores urbanísticos para cidades costeiras e constrói barcos.

Fonte do Texto: www.algosobre.com.br

Comentário: Ao se ler este artigo sobre o navegador brasileiro, AMYR KLINK, fica evidente o espírito elevado de um homem, que desde os dez anos, demonstra um profundo carinho, interesse e respeito pelas coisas do mar.
Como leitor do livro CEM DIAS ENTRE O CÉU E O MAR, fiquei bastante impressionado com a coragem,
 a organização e a capacidade náutica deste jovem e solitário navegador brasileiro, que conseguiu iniciar e terminar com um barco a remo,  a sua viagem pelo atlântico sul.
Gostaria que a mídia brasilleira procurasse divulgar e valorizar  estes exemplos que elevam o nome do nosso país, demonstrando que nós, brasileiros, temos um grande potencial adormecido, que poderá em futuro próximo, acordar, e transformar o Brasil em uma grande nação.

domingo, 17 de julho de 2011

O Florescimento da democracia.

Stephen Bartman, em seu livro OS OITO PILARES DA SABEDORIA GREGA, escreve:
“O modo de viver dos atenienses do pós-guerra foi a democracia. Uma invenção grega, esse sistema de governo floresceu principalmente em Atenas graças às reformas constitucionais promulgadas durante o século anterior às Guerras Persas.”
“A liberdade está para o indivíduo assim como a democracia está  para o Estado. Mas os atenienses foram bastante sensatos para reconhecer que liberdade e democracia, para de fato servirem à humanidade, precisam ser guiadas pelo autocontrole. A liberdade, afinal de contas, é simplesmente uma conjuntura, uma circunstância. O que fazemos com ela cabe a nós decidir. Ser livre pode tanto significar ser egoísta quanto se sacrificar em benefício dos outros. A escolha é nossa. Como Ícaro e suas asas presas com cera, podemos esbarrar nas nuvens ou perseguir o sol e morrer. Ser livre é ser responsável pela vida que escolhemos.”
“Como argumentou Platão depois da amarga experiência de ver seu mestre Sócrates ser morto, a democracia talvez seja o mais perigoso dos sistemas políticos, pois confia as decisões a uma maioria que pode facilmente mudar de opinião levada por emoções sórdidas.”
“Os gregos  aprenderam a duras  penas que não é quando estamos fracos que somos mais vulneráveis, mas quando estamos fortes. Nessas ocasiões, há uma tendência maior para cometermos atos arrogantes, para tentarmos fazer mais do que podemos, nos tornando agentes de destruição. A democracia, sobretudo, a materialmente bem-sucedida, carrega em si as sementes da própria destruição.”
Embora, o auge da civilização grega tenha ocorrido há mais de 2.000 anos atrás, os princípios da democracia, pelo menos, na teoria, continuam presentes. No entanto, Platão deixou registrado que este regime político é extremamente sensível, porque a massa votante pode ser manipulada pelos mais diversos meios de comunicação de  massa.



Pronome não definido.

 O artigo abaixo foi escrito pela jornalista Ana Paulo Nunes para a revista semanal de difusão cultural, que nos leva a uma profunda reflexão dos possíveis caminhos de uma sociedade em transição para o século XXI.

Recentemente eu li uma notícia na Globo.com que me fez refletir sobre assuntos que debatíamos muito durante as aulas de Sociologia na faculdade e que de alguma forma se encaixam nas minhas recentes pesquisas sobre a questão do gênero. 


A notícia era sobre um casal canadense pais de um bebê de quatro meses, mas que preferiram não revelar o sexo da criança. Depois de uma busca pela internet descobri numa reportagem da Revista Época, outro caso divulgado pela mídia semelhante. Um casal sueco, pais de uma criança de dois anos de idade ainda não tinham revelado o sexo da criança, apenas amigos ou familiares mais próximos que ajudaram a cuidar do bebê é que sabiam essa informação.

De acordo com a matéria, os pais de Pop resolveram adotar esse comportamento acreditando que o gênero é uma construção social, e assim sendo, optaram por não forçar a criança a um gênero que a moldará sociologicamente. O bebê veste-se tanto com vestidos quanto com calças compridas, sendo ele que escolhe a roupa ou o penteado que quer usar. Dessa maneira, os pais acreditam que caberá a ele decidir se é homem ou mulher e no tempo dele.

A notícia também foi postada em um fórum e foi muito interessante perceber nos tons dos comentários feitos pelos usuários o quanto a relação de gênero é um assunto muito polêmico. Muitos ainda se referem como a “natureza feminina” e a “natureza masculina”, tornando o assunto muito mais biológico do que social. E sempre quando vejo uma inversão de valores, quando vejo um problema social sendo apresentado como algo biológico lembro de algo que meu professor sempre fala. A questão biológica é muito mais definitiva, ela é dada, não aceita mudanças. No âmbito social, apesar de complexo, há possibilidades de alterações.

Assim, esse discurso biológico extremamente perigoso, mas que ainda hoje se apresenta  como senso comum, é uma ideologia que impede mudanças socioculturais. Apesar de perceber o quanto é errôneo pensarmos na identidade feminina e masculina como algo biológico. Não estou aqui defendendo a postura adotada por esses pais, afinal a questão é muito mais complexa do que simplesmente supormos que ao deixarmos uma criança escolher suas roupas e penteados estaremos acabando os conflitos da relação de gênero.



Ana Paula Nunes é jornalista e pós-graduanda em Mídia, Informação e Cultura pela Universidade de São Paulo - USP. Escreve aos domingos, quinzenalmente, na ContemporARTES.

QUATRO DICAS PARA QUEM ESTÁ ENTRANDO NO ENSINO SUPERIOR

A saída do Ensino Médio e o início dos estudos em uma instituição de ensino superior representam uma grande mudança para a vida do jove...